A BYD colocou o primeiro protótipo da Mako nas mãos de jornalistas na pista de Interlagos, no primeiro contato com a picape intermediária, que chega às concessionárias entre outubro e novembro.
O veículo amarelo, enfeitado com fitinhas do Senhor do Bomfim, atraiu olhares no Festival Interlagos, que vai até o próximo domingo (30), e é o primeiro carro da marca chinesa projetado exclusivamente para o mercado brasileiro.
Ao contrário de outros lançamentos, a Mako não sairá de fábricas chinesas: toda a produção ficará concentrada em Camaçari. Na Bahia, onde as áreas de pintura e estamparia estão sendo ajustadas para receber peças fabricadas localmente. Em nove meses de operação, a fábrica baiana produziu 100 mil veículos e recebeu encomendas para exportar veículos para Argentina e México.
Picape intermediária com plataforma conhecida
Apesar de nova, a picape usa componentes de outros modelos da BYD para acelerar o desenvolvimento. A plataforma vem da linha Song, enquanto a frente reutiliza o capô, os faróis e a grade da primeira geração do Song Plus comercializada por aqui.
As portas dianteiras seguem a mesma lógica, enquanto as traseiras repetem a estrutura do Song Pro com folhas externas distintas para alterar os vincos. Essa estratégia reduziu o tempo de projeto, mas trouxe um resultado estético menos marcante. Os para-lamas têm poucos volumes para dar porte ao carro, e a linha de cintura combinada ao capô inclinado resulta numa silhueta comportada demais para uma picape.
Com cerca de 4,80 m de comprimento e 2,90 m de entre-eixos, a Mako é aproximadamente 10 cm menor que a Fiat Toro nas duas medidas.
Caçamba inovadora e dimensões competitivas
A traseira segue a linguagem visual da BYD Shark — modelo que não conquistou o público brasileiro — com uma barra iluminada conectando as lanternas e se estendendo discretamente pelas laterais. O logotipo da marca aparece em baixo relevo na tampa, mas o destaque fica no mecanismo de abertura da caçamba.
Hastes longas no estilo pescoço de ganso sustentam a tampa em arcos posicionados acima do para-choque traseiro. Um amortecedor ajuda a aliviar o peso durante o manuseio. A capacidade estimada gira em torno de 1.000 litros de volume, com carga próxima de 750 kg — valores competitivos para essa categoria de veículos.
Motor híbrido com 219 cv em ação
Sob o capô, o conjunto DM-i flex une um motor 1.5 aspirado de 98 cv a uma unidade elétrica dianteira. Juntos, eles somam aproximadamente 219 cv, potência já conhecida do Song Pro flex. Nos primeiros metros, a resposta ao acelerador surpreende pela agilidade e linearidade, comportamento que se mantém até os 115 km/h, quando a propulsão elétrica ganha protagonismo.
A partir dessa marca, o sistema elétrico cede espaço ao motor a combustão, que assume o trabalho pesado para levar a picape além dos 150 km/h. O comportamento repete o que já foi observado no Song Pro em situações similares de aceleração.
O exemplar avaliado rodava com apenas 20% de carga na bateria e autonomia elétrica zerada. Essa condição afetou o desempenho nas acelerações mais intensas, porque o sistema precisou operar em modo de sustentação de energia.
Preço agressivo e desafios à frente
A Mako mira as versões intermediárias e de topo da Fiat Toro, oferecendo tecnologia híbrida plug-in flex como contraponto ao MHEV 48V da concorrente italiana. A faixa de preço estimada fica entre R$ 170.000 e R$ 200.000, o que coloca a picape na mesma faixa das versões que pretende enfrentar.
O sucesso dependerá de a BYD sustentar preços agressivos e entregar um acabamento final de qualidade no interior, ainda provisório no protótipo avaliado. A montadora não pode repetir o fracasso da BYD Shark, modelo que não conquistou o mercado brasileiro.










