Aos 31 anos, Leonardo Maria Del Vecchio vai se afastar de todas as funções que exerce na EssilorLuxottica, a maior fabricante de óculos do planeta. Herdeiro do fundador do grupo, Leonardo Del Vecchio, morto em 2022, ele vai abrir mão do comando da Ray-Ban e do posto de diretor de estratégia da companhia franco-italiana.
Um porta-voz confirmou o desligamento nesta terça-feira, explicando que o executivo pretende se voltar a outras iniciativas no mundo dos negócios. Por trás do anúncio, porém, está uma disputa que já dura meses dentro da Delfin, a holding que administra a fortuna deixada pelo patriarca.
A proposta de Del Vecchio não avançou diante da resistência de parte dos herdeiros e das objeções levantadas pelo conselho de administração da holding. Ele tentou comprar as participações dos irmãos Luca e Paola para se tornar sócio majoritário da Delfin, elevando sua fatia de 12,5% para 37,5% do capital.
Rocco Basilico, enteado do fundador e filho de sua viúva, recorreu à Justiça para barrar o negócio em um tribunal de Luxemburgo. Pouco antes de anunciar sua saída, Del Vecchio havia publicado no Instagram: “Uma herança está chegando, é preciso assumir responsabilidades”.
Em carta publicada pelo Milano Finanza, ele atacou a forma como Francesco Milleri, presidente escolhido pelo próprio pai, conduz a companhia, e del Vecchio descreveu a gestão como distante e impessoal.
Financeiro da EssilorLuxottica e Ray-Ban em números
A EssilorLuxottica fechou o último ano com lucro líquido de 2,3 bilhões de euros (R$ 13,82 bilhões) sobre receita de 28,5 bilhões de euros (R$ 171,29 bilhões). Além da Ray-Ban, o portfólio reúne marcas como Oakley, Persol e Oliver Peoples, com licenças de Giorgio Armani, Chanel e Burberry.
A Delfin é a maior acionista da fabricante de óculos com 32,4% do capital e soma participações no banco Monte dei Paschi, na seguradora Generali e na incorporadora Covivio. O valor estimado das participações da holding passa de 40 bilhões de euros, o equivalente a R$ 240,4 bilhões.
Reação do mercado à saída
Analistas do banco Equita avaliam que o afastamento de Del Vecchio separa de forma mais clara a propriedade do comando operacional da EssilorLuxottica. E consideram essa separação adequada num momento de tensão na governança da Delfin. O banco ressalva que uma eventual troca na liderança da empresa seria vista como negativa.
Segundo a Equita, a estratégia da companhia vem sendo formulada e aplicada de maneira consistente por Milleri nos últimos anos. Enquanto a queda de braço pela Delfin segue sem solução, é essa continuidade na gestão operacional que o mercado observa mais de perto.










