O valor de fabricação de uma das réplicas da Estátua da Liberdade que ficam na entrada das megalojas da Havan pode chegar a R$ 1,5 milhão. A escultura que se tornou símbolo da varejista desde sua popularização está presente em em mais de 70 unidades em diferentes pontos do país.
Erguida a 35 metros de altura, a estrutura serve para atrair o olhar de motoristas e pedestres nas estradas e nos centros urbanos. Comparado ao valor gasto para inaugurar uma megastore — de R$ 50 a R$ 100 milhões —, o gasto com cada monumento representa uma fatia pequena, entre 1,5% e 3%, do total investido na filial.
Ainda assim, a engenharia por trás de cada peça gigante é complexa e envolve fabricação, transporte, montagem e manutenção contínua.
Produção da Estátua da Liberdade em Santa Catarina
O esqueleto metálico com revestimento de fibra de vidro nasce em Santa Catarina e leva até 30 dias para ficar pronto. Cerca de 50 profissionais trabalham na produção, divididos entre seis empresas parceiras que cuidam de soldagem, moldagem e acabamento.
Depois de finalizada, a peça é desmontada para viajar em carretas especiais por 1,4 mil quilômetros, em uma viagem de 3 dias, com a carga fracionada. Essa divisão é estratégica: evita que o monumento bloqueie o trânsito ao cruzar pontes e pedágios nas rodovias brasileiras.
A montagem no terreno e custos finais
No local de instalação, equipes perfuram o solo, cravando estacas e erguendo uma fundação de concreto armado para sustentar o peso da estrutura. Guindastes de grande porte fazem o içamento para erguer a Estátua a 35 metros de altura sobre o pedestal.
A estrutura funciona como um farol visual imediato nas estradas. Dependendo do porte do projeto e da complexidade logística envolvida, colocar uma dessas estátuas de pé pode sair entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão.
Esse valor já inclui frete, mão de obra, fundação, inspeção estrutural e manutenção contínua com prevenção contra vendavais. Das 195 lojas da Havan espalhadas pelo Brasil, 82 possuem a réplica da Estátua.
O acidente em Guaíba e as consequências
Um temporal com ventos superiores a 90 km/h chegou a derrubar a réplica instalada em Guaíba, no Rio Grande do Sul, no final do ano passado. A peça pesava cerca de três toneladas e a queda causou um prejuízo estimado em R$ 1 milhão, mas nenhuma pessoa ficou ferida.
O episódio deixou claro que o valor pago inicialmente não é o único gasto envolvido: quando há eventos climáticos extremos, processos como restaurar, inspecionar, remover e dar manutenção à peça se somam ao investimento e elevam o custo total da estrutura.
A estátua foi transportada para Santa Catarina para restauração antes de ser reinstalada. Enquanto isso, a maior réplica instalada fica em Barra Velha, no Norte de Santa Catarina, com 57 metros de altura — exceção à altura padrão de 35 metros.
A engenharia como diferencial de segurança
A resistência do monumento depende tanto do material quanto da fixação, da fundação e das condições do terreno escolhidas para cada instalação. Segundo Luciano Hang, dono da Havan, cada estrutura combina metal reforçado internamente com revestimento de fibra de vidro.
A fundação e cravação de estacas no solo exigem engenharia específica, com participação de empresas especializadas em cada etapa. O acidente de Guaíba pôs à prova a resistência climática daquela réplica.
O acidente mostra que a segurança de monumentos dessa escala depende não apenas dos materiais utilizados, mas também do projeto de engenharia, da qualidade da fixação e da avaliação contínua das condições estruturais após eventos extremos.










