Em 21 de junho de 1931, um trem percorreu uma distância de 257 quilômetros entre as cidades de Hamburgo e Berlim, na Alemanha, em um período de 98 minutos, um tempo recorde que surpreendeu todo o país.
O Schienenzeppelin atingiu 230 quilômetros por hora, marca que impressionou os repórteres presentes no trajeto. A composição combinava tecnologia aeronáutica com engenharia ferroviária.
O engenheiro Franz Kruckenberg e seus colegas Curt Stedefeld, Fritz Heyner e Willy Black desenvolveram o trem para modernizar a frota ferroviária. A Reichsbahn, empresa estatal de ferrovias, tornou-se parceira nos testes e forneceu uma oficina no Reichsbahn-Ausbesserungswerk, operários e um trecho de ferrovia para os testes.
Conceito e realização do trem em menos de dois anos
Kruckenberg esboçou o primeiro desenho do Schienenzeppelin em um envelope num café à beira do parque Eilenriede, em Hannover. Menos de dois anos se passaram entre aquele rascunho e o teste oficial.
Kruckenberg e Stedefeld eram inventores e empresários. Em 1928, fundaram a Flugbahn-Gesellschaft para desenvolver livremente suas ideias de transporte. A Reichsbahn também permitiu que eles testassem suas construções num trecho ferroviário de aproximadamente 8 quilômetros perto da cidade de Hannover.
Inspiração na engenharia aeronáutica
O projeto aproveitava lições da construção de dirigíveis rígidos. Kruckenberg adotou a estrutura esquelética típica dos zepelins, um arcabouço de tubos de aço no qual uma equipe de cerca de 30 homens trabalhou a partir do início de 1930.
A elegância do projeto residia na leveza combinada à rigidez estrutural — conceitos emprestados diretamente da indústria aeronáutica. Em agosto de 1930, instalaram um motor de avião BMW. Pouco depois, acoplaram um motor elétrico na dianteira para permitir manobras sem usar o propulsor.
A cobertura exterior era feita de alumínio e lona impermeabilizada à prova de fogo, tingida de prata. O diferencial do Schienenzeppelin era a propulsão extraordinariamente eficiente: enquanto triebwagen experimentais de 1903 haviam alcançado 210 quilômetros por hora utilizando 3.000 cavalos de potência. O novo trem precisava apenas de 500 cavalos de potência para superar essa marca.
Testes progressivos antes do recorde histórico
Nas primeiras tentativas, Kruckenberg e seus colegas mantiveram o trem a 170 quilômetros por hora durante um teste realizado em 10 de maio de 1931, no trajeto entre Lehrte e Plockhorst.
À tarde do mesmo dia, numa segunda passagem, aceleraram para 205 quilômetros por hora, aproximando-se dos limites do projeto. Para garantir segurança nos testes oficiais, a Reichsbahn reorganizou seus horários de circulação. E alocou operadores adicionais em 25 passagens de nível entre Lehrte e Plockhorst.
Equipes de segurança foram posicionadas ao longo de todo o percurso de 20 quilômetros. O dia 21 de junho foi escolhido como data da demonstração que impressionaria a comunidade ferroviária europeia.
Legado de inovação e destino do veículo
O Schienenzeppelin mostrou que era possível atingir 230 quilômetros por hora com 500 cavalos de potência, menos que os 3.000 necessários para que composições experimentais de 1903 alcançassem 210 km/h.
O recorde permaneceu invicto por 24 anos, até 1954. O Schienenzeppelin tinha capacidade para 40 passageiros. Apesar do sucesso inicial e da popularidade junto ao público, a Reichsbahn rejeitava o projeto por questões técnicas — criticava o longo tempo de frenagem, a ausência de aquecimento, falta de banheiros e número insuficiente de assentos. O veículo foi desmanchado em 1939 por problemas de segurança.
Ainda assim, o Schienenzeppelin ganhou vida em miniatura: os fabricantes Märklin e Bing lançaram versões em brinquedo de lata que se tornaram populares em toda a Alemanha.










