Pipoca, paçoca, carioca, capenga, nhenhenhém, catapora, jururu, inhaca, pereba e peteca têm algo em comum, todas vêm das línguas indígenas e fazem parte do vocabulário diário dos brasileiros sem que a maioria perceba. O levantamento com as origens e os significados literais dessas palavras foi organizado pelo pesquisador Leonardo Ponso e divulgado pela plataforma de literatura Quindim.
O que cada palavra significa
Cada um desses termos carregava, na origem, uma descrição precisa de comportamentos, estados físicos ou objetos do cotidiano. “Capenga”, usada para descrever quem manca ou arrasta a perna, vem da junção de palavras nativas para osso e quebrado. “Nhenhenhém”, sinônimo de conversa fiada ou reclamação sem fim, significa literalmente o ato de falar de forma repetida.
No campo da saúde, “catapora” traduz a ideia de um fogo que salta e arde na pele. “Pereba” é o nome dado a uma ferida, machucado ou chaga. “Jururu” descreve alguém com o pescoço pendido para baixo, ou seja, triste e desanimado. “Inhaca” qualifica algo com cheiro muito forte.
Na alimentação e no lazer, “pipoca” é o grão que estoura com o calor. “Paçoca” indica o ato de esmigalhar um alimento com as mãos durante o preparo. “Peteca” carrega o significado de um objeto feito para ser batido com a palma da mão. E “carioca”, hoje o gentílico de quem nasce no Rio de Janeiro, era a expressão usada pelos povos originários para identificar o homem branco que chegava ao território.
De onde vieram
A incorporação dessas palavras ao português aconteceu durante o processo de colonização do Brasil. Os portugueses adotaram o tupinambá, derivação do tronco linguístico tupi, como língua de comunicação com as populações locais. Essa escolha unificou parte do vocabulário nativo no idioma europeu, mas contribuiu para o apagamento de muitos outros dialetos falados por diferentes povos na época.
Hoje, estima-se que o português brasileiro mantenha cerca de dez mil palavras de origem tupi em uso ativo no dia a dia. O número mostra que a influência dos povos originários na língua falada no país vai muito além do que a maioria das pessoas imagina.










