Entenda a mudança de nome da Síndrome dos Ovários Policísticos para SOMP, Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina
A nova denominação visa diminuir o subdiagnóstico da síndrome e ampliar o seu tratamento para uma abordagem multidisciplinar
Publicado: 03/06/2026 às 07:00
A especialista Aline Nunes explica as principais razões por trás da mudança (Rafael Vieira/DP Foto)
O mês de maio marcou um importante passo para a saúde feminina. Um consenso global, encabeçado por pesquisadores da Monash University, publicado na The Lancet, uma das principais revistas científicas do mundo, propôs a mudança do nome de uma dos mais comuns distúrbios metabólicos femininos: a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Segundo o estudo, a troca para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), é uma tentativa de corrigir o subdiagnóstico da condição, gerada pela redução das suas causas e sintomas.
“A SOMP é uma síndrome complexa com sintomas metabólicos e hormonais que, sim, pode estar relacionada à questão policística ovariana, mas nem todas as pacientes vão apresentar esse fator”, explica a médica Aline Nunes, ginecologista do Hospital Jayme da Fonte.
A proposta já foi aceita em diversas diretrizes internacionais, mas sua implementação no Brasil ocorrerá de forma gradual ao longo dos próximos três anos. Entre os principais sintomas estão a irregularidade menstrual, a produção ou ação excessiva de hormônios androgênicos, manifestada por sinais como acne e aumento de pelos no rosto e abdômen, e a possível presença de ovários policísticos.
A especialista afirma que a troca de nome irá evitar a exclusão de pacientes sem ovários policísticos e estender o tratamento para uma abordagem multidisciplinar, facilitando o diagnóstico precoce da síndrome.
“Para fechar o diagnóstico, a paciente precisa apresentar dois dos três critérios: Oligo ou anovulação, que se manifesta através de uma irregularidade menstrual, hiperandrogenismo, clínico ou laboratorial, e os policistos ovarianos. Mas, com esse novo nome haverá ampliação do rastreio metabólico. Então, mesmo não apresentando a questão ovariana, médicos e pacientes, estarão em alerta quando houver alguma alteração metabólica”, explica.
Apesar da mudança na identificação, atividade física e uma alimentação saudável permanecem cruciais no tratamento da condição. Se a paciente possui intolerância à glicose ou resistência à insulina, medicações anti-diabetes estão indicadas, além de hormônios para reduzir os sinais de hiperandrogenismo e regular o ciclo menstrual.
O Hospital Jayme da Fonte é referência na saúde pernambucana e conta com uma equipe multiprofissional especializada em diversas áreas, inclusive ginecológica. O complexo hospitalar possui equipamentos de última geração para diagnóstico e tratamento de várias doenças, além de três unidades para consultas ambulatoriais.