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Educação para um novo século

Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável: qual será o lugar do ser humano em um mundo cada vez mais tecnológico?

Diario de Pernambuco

Publicado: 12/08/2026 às 07:30

Atualização busca adaptar as normas da educação a distância (EAD) às transformações digitais/MCTIC/Divulgação

Atualização busca adaptar as normas da educação a distância (EAD) às transformações digitais (MCTIC/Divulgação)

Padre Carlos Fritzen
Reitor da UNICAP

A educação atravessa um dos períodos mais desafiadores de sua história. Nunca tivemos acesso a tantas informações, tecnologias e possibilidades de aprendizagem. Ao mesmo tempo, nunca foi tão necessário perguntar que tipo de ser humano queremos formar para habitar um mundo em transformação acelerada.

Os jovens que hoje chegam à universidade iniciam sua formação em um cenário marcado pela inteligência artificial, pelas mudanças climáticas, pelas novas tecnologias e por profundas transformações sociais e culturais. Profissões são reinventadas, conhecimentos se tornam obsoletos em velocidade inédita e novas competências passam a ser exigidas.

Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável: qual será o lugar do ser humano em um mundo cada vez mais tecnológico?

Na Universidade Católica de Pernambuco, acreditamos que a tecnologia deve estar a serviço da pessoa, e não o contrário. O grande desafio da educação no século 21 não é simplesmente ensinar a utilizar novas ferramentas, mas formar homens e mulheres capazes de orientar essas ferramentas com sabedoria, ética, sensibilidade e compromisso com a vida.

A inteligência artificial pode processar enormes volumes de dados e oferecer respostas em segundos. Mas a educação não pode se limitar à capacidade de encontrar respostas. É preciso ensinar a formular perguntas relevantes, interpretar a realidade, compreender o outro e tomar decisões responsáveis.

É nessa dimensão que a universidade precisa reafirmar sua missão. Uma universidade não pode ser apenas um espaço de preparação para o mercado de trabalho. Deve ser também lugar de formação humana, pensamento crítico, produção de conhecimento, convivência com a diversidade e compromisso com a transformação social.

O profissional do futuro precisará dominar tecnologias, mas também saber trabalhar em equipe, comunicar-se, exercer empatia, lidar com situações complexas e compreender as consequências de suas decisões para a sociedade e para o planeta.

Esse é um dos grandes desafios: formar pessoas inteiras.

Na tradição da educação católica, conhecimento e responsabilidade caminham juntos. O rigor científico não se opõe ao humanismo. Quanto mais poderosa se torna a tecnologia, maior deve ser nossa responsabilidade sobre seus usos e impactos.

Por isso, os currículos precisam dialogar com novas profissões e conhecimentos, sem abandonar aquilo que permanece essencial: a capacidade de pensar criticamente, pesquisar, criar, questionar e aprender continuamente. A educação do século 21 não pode preparar alguém apenas para uma profissão, mas para uma vida inteira de aprendizagem.

Paulo Freire, nosso grande mestre pernambucano, ensinou que a educação muda as pessoas, e são as pessoas que transformam o mundo. Em uma sociedade marcada pela velocidade, pelo excesso de informações e pela polarização, educar significa também formar cidadãos capazes de discernir, dialogar e agir com responsabilidade.

O futuro não é um lugar para onde caminhamos passivamente. Ele é construído todos os dias, pelas escolhas que fazemos no presente.

Por isso, o maior desafio da educação para o século 21 talvez seja este: não formar apenas pessoas capazes de acompanhar o futuro, mas pessoas capazes de construí-lo.

Um futuro em que a tecnologia seja mais humana, o conhecimento mais compartilhado e o desenvolvimento esteja verdadeiramente comprometido com a dignidade de cada pessoa e com a preservação da nossa Casa Comum.

É para esse futuro que devemos educar.

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