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Saúde integral na reprodução assistida

Tecnologias como a genética reprodutiva e a inteligência artificial ampliam as possibilidades terapêuticas, mas exigem permanente atualização das normas que garantem segurança aos pacientes

Diario de Pernambuco

Publicado: 06/08/2026 às 08:07

Para a ginecologista e especialista em reprodução assistida Altina Castelo Branco, cuidar da fertilidade vai muito além da tecnologia./Magnific/foto ilustrativa

Para a ginecologista e especialista em reprodução assistida Altina Castelo Branco, cuidar da fertilidade vai muito além da tecnologia. (Magnific/foto ilustrativa )

Altina Castelo Branco*

A medicina reprodutiva atravessa um momento de grandes transformações. Os avanços científicos ampliaram as possibilidades de tratamento da infertilidade e do planejamento familiar, mas também reforçaram uma certeza: cuidar da fertilidade vai muito além da tecnologia. Significa cuidar da pessoa em sua totalidade. 

Essa é a essência da saúde integral na reprodução assistida, tema que abrirá as discussões do 30º Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (CBRA30), realizado pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), entre os dias 9 e 12 de setembro, no Recife Expo Center. Pela primeira vez, Recife sediará o maior encontro científico da América Latina dedicado à medicina reprodutiva, reunindo especialistas brasileiros e internacionais sob o tema “O Cuidado Integral no Hoje”.

O tratamento da infertilidade não pode ser restrito aos exames, protocolos ou procedimentos laboratoriais. A jornada do paciente envolve expectativas, emoções, desafios e decisões que exigem acolhimento e uma abordagem multidisciplinar. Psicólogos, nutricionistas, enfermeiros, embriologistas e geneticistas atuam ao lado dos médicos para oferecer uma assistência que considere não apenas a saúde física, mas também os aspectos emocionais, sociais e éticos.

Essa visão torna-se ainda mais importante diante das mudanças vividas pela sociedade. Atualmente, a reprodução assistida atende casais com infertilidade, pessoas que desejam preservar a fertilidade, pacientes oncológicos, casais homoafetivos, mães e pais solos, sempre respeitando os direitos reprodutivos, a autonomia e as escolhas de cada indivíduo.

Ao mesmo tempo em que a ciência evolui, cresce também a responsabilidade ética. Tecnologias como a genética reprodutiva e a inteligência artificial ampliam as possibilidades terapêuticas, mas exigem permanente atualização das normas que garantem segurança aos pacientes e responsabilidade na prática médica.
Esses desafios estarão no centro dos debates do CBRA30, que discutirá temas como inovação, regulamentação, fertilidade feminina e masculina, genética, embriologia e preservação da fertilidade, entre outros.

A escolha de Recife para sediar esse encontro reconhece o protagonismo de Pernambuco na medicina reprodutiva e fortalece a posição da região Nordeste como importante polo de excelência na especialidade.

Mais do que apresentar avanços científicos, o congresso propõe uma reflexão sobre o futuro da medicina reprodutiva. O verdadeiro progresso não está apenas nas novas tecnologias, mas na capacidade de oferecer um atendimento cada vez mais humano, ético e personalizado.

Colocar o paciente no centro das decisões é compreender que o sucesso da reprodução assistida não se mede apenas pelos resultados clínicos, mas também pela qualidade do cuidado, pelo respeito às escolhas individuais e pelo compromisso de transformar ciência em esperança para milhares de famílias.

*Altina Castelo Branco é ginecologista, especialista em reprodução assistida e presidente do 30º Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (30ºCBRA), de 09 a 12 de setembro, no Recife Expo Center.

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