Organizações Sociais de Saúde e os novos desafios da administração
Se a gestão evoluiu, também evoluiu a responsabilidade de quem a conduz
Publicado: 18/07/2026 às 08:54
Administração hospitalar (Foto: Magnific)
Neste mês do Administrador Hospitalar, observo com orgulho como a gestão assumiu papel estratégico nos serviços públicos de saúde, trabalho sustentado por planejamento, indicadores e pilares como qualidade, segurança e transparência. Neste cenário, as Organizações Sociais de Saúde (OSS) tiveram papel fundamental. Além de contribuir com a capacidade de resposta às demandas do SUS, sua atuação tem passado por um processo de amadurecimento, no qual percepções vêm sendo substituídas por evidências e os resultados passaram a ser avaliados por indicadores consistentes de eficiência.
Levantamento do Ministério da Gestão e Inovação, Universidade Federal de Minas Gerais e Instituto Brasileiros das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), identificou 589 Organizações Sociais responsáveis pela gestão de mais de 3.200 estabelecimentos de saúde no país, dos quais 54% na Atenção Primária, principal porta de entrada do SUS. Ou seja, as OSS se tornaram componente importante da gestão pública.
Acredito que esse processo passa, agora, por novas etapas: a modernização dos instrumentos de gestão, que precisam continuar evoluindo para incorporar mecanismos cada vez mais robustos de avaliação, indicadores assistenciais, metas e critérios objetivos de monitoramento; uma reflexão sobre a atualização de seus instrumentos legais, como a própria legislação que estruturou as OSS. Se foi decisiva para sua expansão, hoje o ambiente tornou-se mais complexo, com contratos de maior porte, exigências crescentes de governança e novos mecanismos de controle, que demandam maior previsibilidade, segurança jurídica e estabilidade institucional.
Nessa mesma direção, os órgãos de controle assumem um papel igualmente estratégico, indispensável para garantir a correta aplicação dos recursos, fortalecer a governança e ampliar a transparência. Ao mesmo tempo, o amadurecimento desse relacionamento passa por uma visão mais orientada ao diálogo institucional, à prevenção de riscos e ao aperfeiçoamento da gestão.
Nesse ponto, retorno à figura do administrador hospitalar. Se a gestão evoluiu, também evoluiu a responsabilidade de quem a conduz. Hoje, o desafio não está apenas em administrar recursos ou garantir o funcionamento dos serviços. Está na capacidade de tomar decisões em um ambiente marcado por crescente complexidade assistencial, limitações orçamentárias e elevados padrões de inovação e governança, conciliando eficiência, qualidade, transparência e responsabilidade, já que cada decisão impacta a vida das pessoas e a sustentabilidade do sistema.
Mecanismos de controle são fundamentais para assegurar a correta aplicação dos recursos, fortalecer a governança e preservar a confiança da sociedade. Ao mesmo tempo, precisamos construir um ambiente que ofereça segurança para que gestores preparados e comprometidos possam inovar, decidir e buscar soluções sem que o receio da responsabilização paralise a capacidade de gestão. Controle e eficiência não podem ser objetivos opostos. Em um mundo onde se busca melhoria contínua, ao invés de perfeição, eles devem caminhar juntos em benefício do usuário e do fortalecimento do SUS.
Samuel Gomes é superintendente Geral da FGH e diretor de Administração e Finanças do IBROSS