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Sérgio de Castro Pinto: poeta e crítico literário

O estado da Paraíba possui uma tradição respeitável no âmbito da crítica literária de formação acadêmica com atuação no jornalismo cultural, a qual tem dado, com o passar do tempo, uma lição de resistência e qualidade

Marcus Prado

Publicado: 06/07/2026 às 09:49

Sérgio de Castro Pinto: poeta e crítico literário/Foto: PORNSAWAN/Magnific

Sérgio de Castro Pinto: poeta e crítico literário (Foto: PORNSAWAN/Magnific)

O estado da Paraíba possui uma tradição respeitável no âmbito da crítica literária de formação acadêmica com atuação no jornalismo cultural, a qual tem dado, com o passar do tempo, uma lição de resistência e qualidade. Longe de ser apenas um ambiente de produção de romances e poesias, o estado assinala uma geração de autores que ajudaram a moldar a forma de ler e interpretar a literatura. Esses escritores têm desempenhado um papel central no estímulo à recepção, análise e difusão da obra pernambucana, consolidando um intercâmbio cultural profícuo entre os dois estados.


Essa conexão intelectual é corroborada por uma vasta produção acadêmica, na qual pesquisadores paraibanos têm dedicado teses de doutorado e dissertações a temas e autores de Pernambuco, estreitando esse diálogo. Uma postura voltada para o autor pernambucano — caracterizada pelo rigor estético e por um sentimento simultaneamente generoso e perspicaz — consolidou-se na década de 1980 com nomes como os primos Juarez da Gama Batista e Virgínio da Gama e Melo, seguidos por Edilberto Coutinho, Zila Mamede, Odilon Ribeiro Coutinho, Hildeberto Barbosa Filho, João Francisco de Lima Santos e Elizabeth Marinheiro. Esta última trouxe da Sorbonne para Campina Grande sua paixão pelas ideias barthesianas. A tese de pós-doutorado “Escritoras e professoras da Paraíba do começo do século XX”, defendida recentemente pela pesquisadora Ana Maria Coutinho de Sales (UFPE), resgata nomes de autoras paraibanas e analisa o trânsito cultural e literário entre a Paraíba e Pernambuco no início do século passado. A linhagem literária dedicada à produção do estado vizinho continua com João Batista de Brito e, mais recentemente, com o escritor e poeta Sérgio de Castro Pinto. Poeta, jornalista e crítico literário, ele é autor de uma obra não apenas ensaística, mas essencialmente poética, reconhecida por grandes nomes da nossa crítica de formação erudita. Conhecido por suas análises densas e pelo rigor conceitual, Sérgio é, talvez, o autor paraibano de nosso tempo que mais escreve e publica sobre a literatura pernambucana.


Sérgio de Castro Pinto é um exemplo de ensaísta erudito que possui a habilidade de retirar o pensamento de seu nicho acadêmico sem diluir sua profundidade. Sem afastar-se do rigor, ele oferece o contexto necessário. Como na fenomenologia, o autor descreve a "coisa em si" de forma que o leitor sinta o peso e a textura do conceito, mesmo sem conhecer a terminologia técnica. Como poeta — de que é exemplo “Breves dias sem freio”, sua antologia —, caracteriza-se por um rigor formal que harmoniza domínio técnico e precisão vocabular. Sua obra revela um constante exercício de contenção: opta deliberadamente pelo que não foi dito ou mostrado, transformando a economia de recursos e a síntese em uma estratégia estética, filosófica e um exercício de essencialismo fenomenológico. Reduzir o mundo a poucas linhas é sua forma de capturar a espinha dorsal da experiência humana, desprovida dos ruídos cotidianos.


Por Marcus Prado - Jornalista

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