Uma nova página para a engenharia pernambucana
Na próxima sexta-feira, 3 de julho, o CREA-PE viverá um momento histórico
Publicado: 02/07/2026 às 08:43
Uma nova página para a engenharia pernambucana (Foto: Magnific)
Na próxima sexta-feira, 3 de julho, o CREA-PE viverá um momento histórico. Pela primeira vez em quase um século de existência, a instituição poderá eleger uma mulher para sua presidência.
Escrevo este artigo, no entanto, não para falar de uma candidatura. Escrevo para refletir sobre uma mudança que já está acontecendo na engenharia brasileira e que merece ser celebrada: a crescente presença feminina em uma profissão que, durante décadas, foi ocupada majoritariamente por homens.
Quando escolhi a engenharia como profissão, sabia que encontraria um ambiente predominantemente masculino. Essa sempre foi uma realidade dos canteiros de obras, das empresas, dos órgãos públicos e das entidades de classe. Felizmente, esse cenário vem mudando.
Hoje, as mulheres ainda representam cerca de um quinto dos profissionais registrados no Sistema Confea/Crea, mas sua participação cresce de forma consistente, especialmente entre os profissionais mais jovens. Isso significa que uma nova geração está ajudando a construir uma engenharia mais diversa, mais plural e mais representativa da sociedade brasileira.
Essa transformação não acontece por concessão. Ela acontece por competência.
Todos os dias vejo mulheres liderando equipes, coordenando grandes obras, desenvolvendo soluções inovadoras, ocupando cargos de gestão, pesquisando, empreendendo e contribuindo decisivamente para o desenvolvimento do país. Elas não buscam privilégios. Buscam apenas que seu talento, sua capacidade técnica e sua dedicação sejam reconhecidos da mesma forma que sempre foram para qualquer profissional.
Ainda há desafios. A participação feminina nos espaços de liderança cresce em ritmo mais lento do que nas universidades e no mercado de trabalho. Por isso, cada avanço tem um significado que vai além da conquista individual. Ele amplia horizontes para meninas que sonham em ser engenheiras, fortalece referências para jovens profissionais e demonstra que competência não tem gênero.
Se a engenharia tem como missão construir pontes, estradas, cidades e soluções para melhorar a vida das pessoas, ela também deve ser capaz de construir oportunidades. Diversidade não enfraquece instituições; ao contrário, amplia visões, estimula a inovação e torna as decisões mais completas.
Tenho orgulho da trajetória que construí ao longo da minha vida profissional e das responsabilidades que exerci na administração pública, na gestão e na engenharia. Se, na próxima sexta-feira, os profissionais do CREA-PE entenderem que estou preparada para presidir a instituição, receberei essa missão com o mesmo senso de responsabilidade, ética e compromisso que sempre nortearam minha atuação.
Mas, independentemente do resultado, acredito que o verdadeiro avanço já está em curso. Cada mulher que ingressa na engenharia, assume um cargo de liderança ou conquista espaço por sua capacidade ajuda a escrever uma nova história para a profissão.
Espero que, em um futuro próximo, a eleição de uma mulher para presidir uma instituição como o CREA-PE deixe de ser notícia. Porque isso significará que teremos alcançado aquilo que realmente importa: uma engenharia em que homens e mulheres sejam reconhecidos apenas pela qualidade do trabalho que realizam e pela contribuição que oferecem à sociedade.
Hilda Gomes é engenheira civil, especialista em gestão pública, com ampla experiência na administração pública e na área de infraestrutura.