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Que futuro a educação de hoje está garantindo aos nossos filhos?

Talvez essa seja uma das perguntas mais importantes que pais e educadores deveriam fazer neste momento da história

Julio Borba

Publicado: 25/06/2026 às 09:16

O mundo clama por profissionais com autonomia, criatividade, responsabilidade, inteligência emocional e capacidade de colaboração/Foto: Magnific

O mundo clama por profissionais com autonomia, criatividade, responsabilidade, inteligência emocional e capacidade de colaboração (Foto: Magnific)

Talvez essa seja uma das perguntas mais importantes que pais e educadores deveriam fazer neste momento da história. Sabemos que o mundo é impulsionado pelo avanço tecnológico e consequente transformação das habilidades necessárias para viver, trabalhar, se relacionar e construir padrões de vida. A velocidade das mudanças é algo que nenhuma geração anterior tenha precisado enfrentar. Ainda assim, crianças e jovens continuam recebendo mais críticas por seus comportamentos do que apoio para compreender o novo tempo.


Enquanto o mundo muda drasticamente, boa parte da oferta educacional básica e superior, continua praticamente igual e com poucas mudanças. E assim seguimos em um ciclo de consequências previsíveis, pois decorar conteúdo há muito deixou de garantir futuro. Repetir fórmulas prontas e memorizar datas não desenvolve autonomia. Estudar apenas para provas e processos seletivos tornou-se uma das maiores ilusões da educação contemporânea. Mesmo assim, esse modelo ainda domina o cotidiano de milhões de crianças e jovens, treinados para responder avaliações, mas não necessariamente para enfrentar a vida real.


E o mercado já demonstra claramente os efeitos disso. Empresas de diferentes setores convivem com uma dificuldade crescente para encontrar profissionais. E não estamos falando apenas devido à falta de domínio técnico. Em muitos casos, a maior deficiência está nas competências humanas e comportamentais. Hoje o mundo busca pessoas capazes de resolver problemas, liderar projetos, comunicar ideias com clareza, trabalhar em equipe, adaptar-se rapidamente, lidar com mudanças, aprender continuamente e transformar conhecimento em ação prática. O mundo clama por profissionais com autonomia, criatividade, responsabilidade, inteligência emocional e capacidade de colaboração.
Mas grande parte do sistema educacional ainda capacita estudantes para repetir respostas prontas. O desalinhamento entre o que o mundo exige e a educação continua oferecendo se torna cada vez mais evidente.


O mercado mudou profundamente e continuará mudando. Profissões desaparecem na mesma velocidade em que novas carreiras surgem. A inteligência artificial já modifica inúmeras atividades e está apenas começando.


Talvez a pergunta dos pais não devesse mais ser: “Qual profissão meu filho terá?”, mas sim: “Ele está sendo preparado para viver em um mundo imprevisível e em constante transformação?”. Porque o futuro provavelmente não pertencerá aos que apenas acumulam informação, isso já virou commodity. O diferencial humano estará na capacidade de interpretar, conectar, criar, adaptar-se e gerar valor para a sociedade. Educação de verdade deixou de ser transmissão de conteúdo. É formação humana, construção de repertório, desenvolvimento de competências e capacidade de gerar impacto positivo no mundo.


Os pais também precisam refletir e conhecer mais, visando participar ativamente dessa construção de futuros e entender, que talvez o verdadeiro indicador de qualidade educacional esteja menos nas notas e mais na capacidade de formar seres humanos preparados para viver com autonomia, ética, equilíbrio emocional, competência e visão de futuro, pois este pertencerá aos que conseguem aprender, desaprender, reconstruir e agir com propósito.


Julio Borba
Presidente LIDE Educação, membro do Conselho Estadual de Educação e Sócio da Edufuturo Global.

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