Brasil e Pernambuco diante das oportunidades do acordo UE-Mercosul
A reportagem publicada pelo Valor Econômico com o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Roberto Azevêdo, traz uma análise importante sobre os impactos do acordo entre Mercosul e União Europeia para a economia brasileira
Publicado: 02/06/2026 às 17:39
Bandeiras do Mercosul e da União Europeia (União Europeia/Mercosul)
A reportagem publicada pelo Valor Econômico com o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Roberto Azevêdo, traz uma análise importante sobre os impactos do acordo entre Mercosul e União Europeia para a economia brasileira. Segundo ele, o principal efeito do tratado será o fortalecimento da confiança do setor privado, criando um ambiente mais favorável para o aumento de investimentos nos próximos anos.
Depois de mais de duas décadas de negociações, o acordo cria uma área comercial que reúne cerca de 720 milhões de pessoas e movimenta aproximadamente US$ 22 trilhões em Produto Interno Bruto combinado. Isso coloca o Brasil diante de uma oportunidade histórica de ampliar exportações, fortalecer a indústria nacional e atrair empresas interessadas em investir no país e em toda a América do Sul.
Todo economista sabe que investimentos acontecem quando existe previsibilidade, segurança jurídica e percepção de estabilidade econômica. Nesse sentido, o acordo sinaliza ao mercado internacional que o Brasil voltou a ser um parceiro confiável e estratégico no cenário global. A tendência é que setores como agronegócio, indústria, logística, energia e serviços sejam diretamente beneficiados com o aumento da integração econômica entre os blocos.
Outro potencial que devemos observar é o crescimento para pequenas e médias empresas.
Com a redução de tarifas e uma maior integração comercial, empresas brasileiras passam a ter mais condições de acessar mercados internacionais, ampliar a competitividade e gerar empregos.
Esse novo momento também reflete diretamente a retomada do protagonismo internacional do Brasil no governo do presidente Lula. O país voltou a dialogar com as grandes economias do mundo, recuperou credibilidade diplomática e reassumiu um papel relevante nas negociações internacionais. Lula mostrou que desenvolvimento econômico passa pela capacidade de construir parcerias globais, fortalecer relações comerciais e atrair investimentos que gerem crescimento e oportunidades para o povo brasileiro.
Para Pernambuco, os impactos desse acordo podem ser extremamente positivos. O estado possui posição estratégica no Nordeste, com forte potencial logístico, industrial e exportador. Setores como fruticultura, agronegócio, indústria alimentícia, setor portuário e energias renováveis têm capacidade de crescer ainda mais com a ampliação das relações comerciais entre Mercosul e União Europeia. Mas, para que Pernambuco aproveite de fato essa oportunidade histórica, será fundamental ter visão estratégica, capacidade de articulação e liderança política comprometida com desenvolvimento, infraestrutura e atração de investimentos.
O acordo UE-Mercosul representa exatamente isso. Um Brasil mais integrado ao mundo, mais competitivo economicamente e preparado para crescer com estabilidade, desenvolvimento e geração de empregos. Pernambuco tem potencial para ocupar um papel de destaque nesse novo cenário, mas isso exige planejamento, diálogo internacional e lideranças capazes de conectar o estado às grandes oportunidades econômicas do futuro.