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As cores nas mídias eleitorais

Com a proximidade do período eleitoral, as cidades sofrem uma metamorfose visual digna de uma paleta surrealista

Marcus Prado

Publicado: 19/05/2026 às 11:51

Cores/Foto ilustrativa/Magnific

Cores (Foto ilustrativa/Magnific)

Com a proximidade do período eleitoral, as cidades sofrem uma metamorfose visual digna de uma paleta surrealista. Além da volatilidade dos palanques, a paisagem urbana é inundada por sorrisos ensaiados que, por vezes, lembram o semblante de “O Homem que Ri”, de Victor Hugo. Essa saturação revela uma carência de profundidade estratégica na publicidade eleitoral, especialmente na escolha cromática das mídias. A peça publicitária deve ser ágil: precisa sair do seu pedestal e ir ao encontro de quem passa, na mesma velocidade do olhar. É nesse ponto que entra a questão das cores.

Josef Albers — pintor e designer no contexto das vanguardas — é, sem dúvida, uma boa referência sobre a questão da cor na arte e na publicidade. Egresso da Bauhaus, primeiro como aluno e depois como professor, seu livro “A Interação da Cor” tornou-se um clássico mundial há mais de 50 anos. Albers fazia parte de um grupo de catedráticos que fascinava os alunos tanto na Alemanha quanto nos EUA, onde lecionou por vários anos.Trata-se de uma obra em diálogo e de fácil acesso em numerosos contextos.

No universo de Albers, a cor seduz, ilude e engana. Essas características fazem dela um fascinante elemento formal da arte, com destaque para o contexto da imagem de apelo político-eleitoral. Além dele, para o campo das mídias eleitorais, sugiro a leitura de “A Psicologia das Cores”, de Eva Heller.

A obra é uma referência sobre como as cores não são apenas sentimentos, mas experiências históricas e culturais enraizadas. Segundo Heller, uma campanha que utiliza o azul busca transmitir segurança e estabilidade, enquanto o uso criativo do laranja pode indicar proximidade e energia renovadora. Outra referência essencial é o brasileiro Israel Pedrosa, em “Da Cor à Cor Inexistente”. Pedrosa discute o contraste e a harmonia. Em uma campanha eleitoral, a "mistura de todos os tons" pode gerar o que ele chama de fadiga visual, situação em que o candidato se torna invisível pelo excesso. O êxito reside no contraste consciente.

Já para Modesto Farina, em “Psicodinâmica das Cores em Comunicação”, o foco é a aplicação das cores no marketing. Ele defende que a cor é o primeiro estímulo que chega ao cérebro. Se o candidato deseja transmitir uma imagem de "mudança", mas utiliza cores conservadoras, cria-se um ruído na comunicação. Mas, uma comunicação visual equivocada pode ser o fim de uma campanha, não só política.

No Recife, nas agências de publicidade sediadas aqui, tenho visto peças elogiáveis, o uso bem construído das cores como estratégia comunicativa.

A campanha presidencial de Barack Obama (2008) foi, para mim, prodigiosa. Tive a curiosidade de acompanhar, por canais de TV, o passo a passo da produção de mídia coordenada pelo estrategista de design Sol Sender. O trabalho é visto como um marco no marketing político devido ao uso rigoroso e inovador da identidade visual — tema do meu próximo artigo.


Marcus Prado - Jornalista 

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