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Diagnóstico precoce no autismo: quando o tempo muda destinos

Abril é o mês de conscientização sobre o autismo — e poucos fatores são tão decisivos para o futuro de uma criança quanto o momento em que o diagnóstico acontece

Pollyanna Pontual

Publicado: 22/04/2026 às 17:21

Cordão de identificação para autismo/Roberto Dziura Jr/AEN

Cordão de identificação para autismo (Roberto Dziura Jr/AEN)

Abril é o mês de conscientização sobre o autismo — e poucos fatores são tão decisivos para o futuro de uma criança quanto o momento em que o diagnóstico acontece. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento cujos sinais podem surgir ainda nos primeiros anos de vida. A Academia Americana de Pediatria recomenda a triagem entre 18 e 24 meses justamente pela possibilidade de identificação precoce e início imediato das intervenções.

Mas o cenário atual mostra que ainda estamos longe do ideal. Dados recentes do Censo Demográfico de 2022, do IBGE, apontam que o Brasil possui cerca de 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de autismo, o equivalente a 1,2% da população. Especialistas alertam, no entanto, que esse número pode ser maior devido ao subdiagnóstico, especialmente em regiões com menor acesso a serviços especializados.

Quando olhamos para mais perto, de acordo com o Censo, a realidade se torna ainda mais concreta. Em Pernambuco, são mais de 105 mil pessoas diagnosticadas com TEA, também representando cerca de 1,2% da população pernambucana - o que torna o Estado o oitavo colocado no ranking do número de pessoas com autismo. Somente no Recife, já são mais de 21 mil dentro do espectro, o que evidencia a dimensão do tema no contexto local.

Diante desses números, a ciência é direta: tempo é desenvolvimento. Os primeiros anos de vida representam um período de alta plasticidade cerebral — fase em que o cérebro tem maior capacidade de adaptação e aprendizagem. Por isso, a identificação precoce permite que a criança tenha acesso mais cedo a intervenções terapêuticas baseadas em evidência, favorecendo avanços
significativos na comunicação, na cognição e na autonomia.

Estudos mostram que crianças que iniciam intervenções ainda na primeira infância apresentam melhores desfechos ao longo do desenvolvimento quando comparadas àquelas que começam mais tarde — especialmente quando o acompanhamento começa antes dos cinco anos de idade. Mais do que números, estamos falando de trajetórias.

O diagnóstico precoce não apenas amplia o potencial de desenvolvimento, como permite a construção de um plano terapêutico individualizado — respeitando as características únicas de cada criança dentro do espectro. Por isso, é fundamental que famílias, escolas e profissionais estejam atentos aos sinais iniciais e não hesitem em buscar avaliação especializada. Identificar cedo não rotula — direciona.

Neste mês de conscientização, o principal recado é claro: agir no tempo certo pode mudar completamente o caminho de uma criança com autismo.
Porque, no autismo, o tempo não é apenas um fator — é uma oportunidade.

Pollyanna Pontual é psicóloga (CRP 02/23823), fundadora e gestora do Espaço Transformar

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