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Coluna

Diario Político

com Renata Bezerra de Melo

Juazeiro/Petrolina

Lula condiciona debate à quebra de sigilo, condena "denuncismo" e defende "exército da decência"

Em último ato de campanha no Nordeste, o presidente mencionou o debate na condicional e declarou que "presidente da República não pode debater com ladrão". O líder-mor do PT convocou a militância: "Somos o exército da dignidade, da decência e da democracia"

Renata Bezerra de Melo

Publicado: 21/10/2026 às 05:10

Em ato que atravessou Bahia e Pernambuco, o presidente Lula (PT) levantou miniatura sua pedindo quebra de sigilo/ Ricardo Stuckert

Em ato que atravessou Bahia e Pernambuco, o presidente Lula (PT) levantou miniatura sua pedindo quebra de sigilo ( Ricardo Stuckert)

Minutos antes de encerrar o discurso já ao final da “cruzada” da ponte que liga Juazeiro (BA) a Petrolina (PE), ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pareceu condicionar sua participação no debate do 2º turno, promovido pela TV Globo, à abertura dos sigilos bancário e telefônico de seu adversário, Flávio Bolsonaro.

“Se ele apresentar documento, autorizando quebrar o sigilo, vai ter debate, porque, se não, ele não pode ir ao debate, porque o presidente da República não pode debater com ladrão”, assinalou o líder-mor do PT e emendou: “Esse é o dado concreto!”.

Antes de ter início o ato, durante entrevista à Imprensa, o petista advertira: “É hora de parar com denuncismo feito pelo bolsonarismo e mostrar a cara de quem é ladrão e de quem é honesto”. Ao final do discurso, prestes a encerrar a agenda, o petista elevou o tom: “Enquanto eu tiver pernas para andar, braços para trabalhar, cabeça para pensar e boca para falar, um ladrão não vai governar o Brasil”.

E emendou: “Preparem-se, porque é guerra! O Exército de Lula não pode sair das ruas, nem das redes digitais, é importante, uma briga cotidiana”. Em seguida, definiu: “Somos o Exército da dignidade, da decência e da democracia”. Por várias vezes, o presidente externou gratidão a Pernambuco e à Bahia.

No Estado gerido por Raquel Lyra, ele obteve 63,45% (3.553.971) dos votos contra 31.03% (1.738.043) de Flávio Bolsonaro. Sob o governo do petista reeleito, Jerônimo Rodrigues, os baianos deram a Lula, percentual ainda maior: 66.17% (5.664.771) dos votos, contra 28.53% (2.442.585) do presidenciável do PL.

Ao longo do percurso, Lula reafirmou o compromisso de trabalhar “para que o Nordeste não seja tratado como terra de segunda qualidade”. “O Nordeste não é inferior a ninguém. Só precisa de oportunidade, e elas estão acontecendo”, enfatizou. Ainda na entrevista, o presidente informou que seus advogados estavam reunidos com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. Reiterou ter formalizado o pedido para abrir os próprios sigilos telefônico e bancário, mas estabeleceu condição: “Desde que Flávio abra o dele”.

Na sequência, vaticinou: “Ele provavelmente não vai ter coragem de abrir sigilo dele, nem telefônico, nem conta bancária”. E endureceu: “Porque ele sabe que a vida dele é podre”. Aliados de Flávio Bolsonaro apontam “demagogia” de Lula e não apostam que o candidato do PL acatará a proposta. “Nem telefone ele tem”, rebate Mendonça Filho, coordenador da campanha de Flávio em Pernambuco, em referência ao mandatário do Planalto .

Se prevalecer a condição estabelecida por Lula, nesta terça-feira (20), e considerando o ceticismo dos aliados de Flávio, a participação do presidente no debate da próxima sexta-feira (23), então, poderia estar em jogo, à luz do que ele próprio ponderou em seu último ato de campanha no Nordeste.

“Demagogia”, classifica Mendonça

Indagado se há chance de Flávio Bolsonaro acatar sugestão de quebra de sigilo, o deputado federal Mendonça Filho, praticamente, descarta e classifica a iniciativa do presidente Lula de “demagogia”. Coordenador da campanha do presidenciável do PL em Pernambuco, Mendonça recorre a casos investigados no âmbito da Operação Lava Jato para criticar o presidente. “O cara que teve o sítio de Atibaia, o tríplex do Guarujá, foi denunciado na Lava Jato, no Mensalão, foi condenado...”. Sobre abrir ou não o sigilo, Mendonça minimiza, adotando fala já usada por Flávio sobre o adversário: “Nem celular ele tem”.

Bancada do agro

Vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, a senadora Tereza Cristina comanda conversa com empreendedores, no Recife, nesta quarta-feira (21), ao lado dos deputados federais Pedro Lupion (Republicanos-PR) e Mendonça Filho (PL-PE), em agenda da “Caravana Muda Brasil”. O encontro está marcado às 9h, no Mar Hotel Conventions, em Boa Viagem, e faz parte do movimento político organizado pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e por lideranças do setor produtivo em apoio à campanha de Flávio Bolsonaro.

Força-tarefa

Ainda esta semana, passam por Pernambuco, em apoio a Flávio Bolsonaro, o deputado federal Nikolas Ferreira, que protagoniza o Bloquinho 22, nesta quinta-feira (22), em Boa Viagem, e o candidato a vice, Alfredo Gaspar, que estará em carreata em Jaboatão dos Guararapes, reduto de Anderson e André Ferreira na sexta-feira (23).

Quase sobrou para PE

Ao encerrar o discurso, nesta terça-feira (20), no ato que atravessou a Bahia e Pernambuco, Lula sublinhou que estava “com a garganta muito cansada” e avisou: “Amanhã (21), ainda tenho entrevista e passeata no Rio de Janeiro”. A agenda em terras fluminenses seria no último sábado (17) e acabou cancelada em função da preparação para o debate da Band do domingo (18). Em função da necessidade de acomodação, a coordenação da campanha chegou a alertar, como a coluna cantara a pedra, que o ajuste poderia interferir na agenda que uniria Bahia e Pernambuco, mas acabou não havendo prejuízos ao Nordeste e o Rio ficou para esta quarta (21). De lá, ele ainda segue para Minas Gerais e São Paulo.

Companheiros

Entre as lideranças de Pernambuco que acompanharam o presidente da República na travessia da ponte nesta terça-feira (20), estiveram: os senadores Teresa Leitão e Humberto Costa, além de Marília Arraes e João Campos.


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