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Coluna

Diario Político

com Renata Bezerra de Melo

Brasília

À mesa na casa de Wolney Queiroz, ministros alinham estratégia para o 2º turno

Sem exceção, compareceram todos os auxiliares do presidente Lula, além de Geraldo Alckmin e do presidente nacional do PT, Edinho Silva. A estratégia debatida passa por explorar a capilaridade política de cada um e o alcance nas redes sociais está no radar

Renata Bezerra

Publicado: 09/10/2026 às 05:13

Lula ao lado do ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz/Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lula ao lado do ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Realizado em caráter privado e fora do horário de expediente, o encontro de ministros do governo Lula, visando a uma mobilização para o 2º turno da campanha presidencial, se deu na casa do titular da Previdência Social, o pernambucano Wolney Queiroz. Sem exceção, todos os auxiliares do presidente da República foram à mesa, atendendo à convocação da ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior. Além deles, o debate incluiu, na última terça-feira (06), o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, um dos principais coordenadores da campanha, Gilberto Carvalho e, naturalmente, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira. Otimizar, via redes sociais, o alcance do eleitorado, inclusive, foi uma das principais diretrizes apontadas.

A estratégia passa por explorar a capilaridade política de cada ministro, seja a partir de sua influência regional, caso de Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome), no Piauí, seja na interlocução com movimentos sociais, o que ficou atribuído a Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência da República).

“Foi uma reunião animada, de muita confiança para alinhar as ações de cada um para essas duas semanas até o segundo turno”, relata Wolney Queiroz à coluna. E observa: “Há pessoas que tem grande influência em redes sociais, há outros de elevada influência regional, como Wellington e Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional), que fala para o Amapá”.

Wolney, por sua vez, já começou a agir. Na quarta-feira (07), publicou vídeo em suas redes sociais sobre o que define como “o ponto mais falado da semana”. A fala tem início com um alerta: “Querem mexer de novo na sua aposentadoria”. Na sequência, o vídeo resgata o ex-presidente Jair Bolsonaro dizendo: “Hoje, iniciamos o processo de criação de uma nova previdência”.

Wolney prossegue, na gravação, advertindo: “Flávio Bolsonaro tenta esconder isso de você, mas o coordenador de campanha dele já entregou o plano. Ninguém aguenta mais outra reforma da Previdência e o histórico da família Bolsonaro não mente, até porque eles já fizeram isso no governo passado”.

O presidenciável do PL já afirmou que promoveria um “tesouraço” para equilibrar as contas públicas. Seu coordenador de campanha, senador Rogério Marinho, apontou que o atual modelo econômico está “estourando”. Prometeu mudanças e afirmou que as reformas da Previdência e Trabalhista seriam “revisitadas”. A Folha de S.Paulo informou que a equipe econômica do candidato teria o plano de desvincular os reajustes da Previdência e do BPC em relação ao ganho real do salário mínimo.

Ainda no vídeo, Wolney fez referência à indexação dos benefícios nas gestões do PT. “É Lula quem garante a vinculação dos benefícios do INSS e da aposentadoria ao salário mínimo. Você sabe o que é isso? É assim. Se cresce o salário mínimo, aumenta automaticamente o valor da sua aposentadoria; eles aumentam juntos e o compromisso do presidente Lula é com esse aumento acima da inflação”, realçou.

A campanha de Flávio tem defendido a necessidade de um ajuste de 1,5% do PIB, ou algo em torno de R$ 200 bilhões a partir da contenção das despesas. "O ajuste fiscal nosso será focado nos excessos do governo", disse, nesta quinta (08), o coordenador da área econômica do plano de governo de Flávio, Adolfo Sachsida.

Também nesta quinta-feira (08), Flávio Bolsonaro negou cortes em aposentadoria, afirmou que manterá o reajuste acima da inflação negou também que vá desindexar a Previdência e o BPC. Em política, vale a máxima de que tudo que você tem que explicar não é bom.

Herança

“Eles fizeram a quadrilha. Nós prendemos. Nós devolvemos o dinheiro, nós zeramos a fila do INSS. Devolvemos para 5,5 milhões de beneficiários um montante de R$ 3,3 bilhões”, enfatiza Wolney Queiroz. O ministro faz referência aos desvios em aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS, revelados pela Operação Sem Desconto. Lula tem repisado que herdou a fraude da gestão anterior e que o ressarcimento se deu na sua gestão. Argumento, no mesmo tom do de Wolney, foi apresentado pelo petista em discurso, no Recife, no último dia 25 de setembro.

Tecla SAP

O ministro da Previdência Social detalha: “Primeira coisa: ´O presidente Lula garantiu aumento do salário mínimo acima da inflação, que não existia nos governos Temer e Bolsonaro. E existe indexação de benefícios ao salário mínimo. Toda vez que aumenta o salário mínimo, aumenta para os aposentados também. Tem aumento todos os anos. Houve ganho real acima da inflação. Flávio está propondo a desvinculação da aposentadoria do salário mínimo”.

Rebranding

Depois do susto em 2022, o deputado federal Felipe Carreras reposicionou o mandato para o interior. Pelo balanço da corrida eleitoral, o "rebranding" deu certo. Apoiado por 10 prefeitos, foi o mais votado em todas as cidades governadas por esses gestores. O mesmo se deu em Brejo da Madre de Deus (onde foi apoiado por três vereadores e pelo deputado estadual eleito, Fábio Aragão). Das 11 cidades onde foi majoritário, Felipe Carreras quebrou o recorde de votação para o cargo em seis delas.

Termômetro

Na primeira pesquisa Datafolha do 2º turno, Flávio Bolsonaro figura com 49% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Em votos válidos, Flávio Bolsonaro tem 52%, contra 48% de Lula. A margem de erro é de dois pontos percentuais. No primeiro turno, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro obteve 47,03% dos válidos e Lula, 45,16%. Ao longo desta semana, Flávio conquistou apoios de partidos como União Brasil, PP, Republicanos e Podemos.


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