Com saída de Miguel, PL lança Mendonça
Construção avançou em almoço nesta segunda-feira e passou por Flávio Bolsonaro, Valdemar Costa Neto e Rogério Marinho
Publicado: 04/08/2026 às 00:00
Mendonça Filho tem a benção de Valdemar Costa Neto, Flávio Bolsonaro e Anderson Ferreira (Beto Barata/ PL)
A ideia já vinha sendo maturada há algum tempo. Mas as últimas 48 horas foram decisivas para que o balão de ensaio virasse fato: o PL avançou para lançar o nome de Mendonça Filho na disputa pelo Senado.
Desde a última sexta-feira (31), o tema já havia sido levado à mesa com mais ênfase na sede do partido. Presidente estadual da sigla, Anderson Ferreira se debruçara, ali, sobre o tema com o próprio Mendonça. Ontem, os dois se encontraram mais uma vez: almoçaram juntos. Foi quando o assunto ganhou corpo e contornos de projeto majoritário a ser divulgado.
A construção passou por conversas entre o dirigente estadual e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. O diálogo se estendeu ao coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho, e foi discutido com o próprio presidenciável.
O partido só terá um nome nessa corrida pela Casa Alta. Dito isto, Silvio Nascimento, alternativa que seria originalmente anunciada pela sigla, sai do páreo. O divisor de águas para que essa decisão fosse tomada foi a saída de Miguel Coelho da disputa, o que acabou formalizado na madrugada do último sábado (2), através de vídeo postado pelo ex-prefeito de Petrolina nas redes sociais.
Avaliações anteriores do PL davam conta de que Miguel abocanhava parte do eleitorado da direita, considerando, no raciocínio, que Fernando Bezerra Coelho, pai de Miguel, foi líder do governo Bolsonaro e que Miguel chegou a receber o presidente em atos institucionais. O nome do ex-prefeito posto inviabilizaria, calculava o conjunto, um projeto da forma que Mendonça imaginara.
O curso da história mudou a partir do momento que Raquel Lyra confirmou que o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente da União Progressista no Estado, seria o candidato a senador na sua chapa. Nesta terça (04), a convenção do PL será às 11h, no Bugan Hotel, em Boa Viagem, quando a candidatura de Mendonça Filho deve ser formalizada publicamente.
Fogo no parquinho
A definição do nome de Mendonça Filho para o Senado gerou rumores de que o projeto teria passado por um crivo da governadora Raquel Lyra. No conjunto dela, houve quem lembrasse que, nesse caso, o 22, número do PL e Flávio Bolsonaro, “caíria no colo dela” e que ela, ao apostar no palanque duplo de Lula no Estado, estaria correndo disso. “Raquel não vai correr o risco de colocar o 22 no colo”, advoga um aliado da gestora, argumentando que “todo mundo está querendo tocar fogo no parquinho”.
Benção
Na esteira da construção no PL, as conversas de Mendonça Filho passaram também por uma benção do grupo dos Coelho. Interlocutores dão conta de que um encontro da família com Mendonça, ontem, teria servido para sacramentar uma composição. Ainda na noite desta segunda (03), Fernando Bezerra Coelho embarcou em voo para Brasília. Ele tem dito, a algumas pessoas próximas, que ainda vota em Raquel Lyra.
Tempo de TV
O partido tem definido como “candidatura avulsa” o projeto de Mendonça Filho para o Senado. Não haverá coligação com nenhuma chapa majoritária. O PL tem o maior tempo de TV da propaganda eleitoral entre os partidos, só ficando atrás da federação União Progressista.
Pontes
Há ainda quem esteja tentando construir pontes ou apostando num diálogo entre Miguel Coelho e Eduardo da Fonte. Interlocutores dão conta de que haveria uma conversa entre os dois no radar. Miguel não foi à convenção da governadora Raquel Lyra e pessoas do grupo dele sinalizaram, à Frente Popular, que o conjunto não votaria mais na gestora. No entanto, o próprio Fernando Bezerra Coelho tem dito, em algumas conversas, que o voto em Raquel está mantido.
Spoiler
Ainda no aniversário de Mendonça Filho, no último dia 11, o ex-senador Armando Monteiro Neto jogou luz sobre o nome de Mendonça para o Senado. A interlocutores, Armando disse que a intenção fora homenagear a trajetória do ex-governador. O gesto, desde então, rendera um zum-zum-zum em torno da possibilidade, mas o próprio Mendonça vinha evitando falar disso.