João vai à mesa com Lula em Brasília
Conversa reservada se deu na presença também de Geraldo Alckmin e Márcio França
Publicado: 01/08/2026 às 00:00
Em Brasília, Lula assegura compromisso com João Campos (Rodolfo Loepert/Divulgação )
A conversa durou cerca de 30 minutos. Nem tão extensa, mas objetiva. O presidente Lula foi à mesa com o pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos, em Brasília, logo após a convenção nacional do PSB, realizada na última quarta-feira (29), no Centro de Convenções Meliá Brasil 21.
Do encontro reservado, participaram ainda o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e Márcio França, candidato a vice na chapa de Fernando Haddad na corrida pelo Governo de São Paulo. Nas hostes da Frente Popular, se fez uma avaliação de que Lula “chamou o feito à ordem”.
Em outras palavras, o líder-mor do PT transmitiu, ao socialista, a mensagem de que, seu compromisso, ele vai cumprir. Leia-se: Lula reconheceu a importância da eleição de Pernambuco para o projeto do PSB, pontuou que, junto à Raquel Lyra, trabalhou institucionalmente, argumentando ter feito o que um presidente da República deve fazer.
No entanto, sublinhou a neutralidade da governadora na eleição de 2022, que, na análise dele, foi uma batalha da democracia contra o autoritarismo, tendo sido a mais difícil desde 1989. Raquel tem se associado a Lula com frequência, apostando num palanque duplo dele no Estado, o que acende um sinal amarelo na campanha do socialista.
Ainda na reunião, se falou que estar neutro nesse tipo de circunstância polarizada é o mesmo que estar contra. Lula lembrou ainda que, no momento mais duro do seu governo, quando enfrentou problemas referentes à previdência social, João Campos entregou parte de sua equipe de comunicação ao Governo Federal.
Em termos de projeto do PSB, calculou-se que vencer a eleição é um imperativo, porque, do contrário, isso atrasaria um projeto nacional em quatro anos. Mas se fez uma ponderação de que quatro anos com um presidente aliado viram 10.
Em 2022, quem discutiu a aliança nacional com o PT foi João Campos, defendendo o ingresso de Geraldo Alckmin no PSB. Márcio França fora vice de Alckmin no Governo de São Paulo. João integrou o conselho político da campanha de Lula naquele ano e, agora, como a coluna cantara a pedra, o PSB atuou em 13 estados num movimento para assegurar palanques onde o PT enfrentava fragilidades.
Tudo isso foi levado em conta. Em política, os gestos contam. Esse de Lula não deixa de ser um compromisso hipotecado. Mas a campanha do PSB aposta numa agenda do petista em Pernambuco. Nenhuma data ficou marcada.
Alckmin na convenção
O vice-presidente Geraldo Alckmin desembarca em Pernambuco para Convenção do PSB, que será realizada, neste sábado, junto com a do PDT. A presença não deixa de representar um aceno de Lula ao ex-prefeito do Recife. A convenção será no Clube Internacional, às 14h.
Ninho tucano
No PSDB nacional, a destituição do comando da Federação PSDB-Cidadania é dada como “jogo jogado”. Fontes tucanas repisam que uma intervenção se deu logo no início da manhã desta sexta-feira (31) e alegam que a executiva estadual que conduziu a convenção, formalizando apoio a Raquel Lyra, ali, já estava destituída. Entre tucanos, se diz que o movimento passa por articulação com o Cidadania de São Paulo e confirmam que o apoio do conjunto em Pernambuco será de João Campos.
Baixas
Com a baixa do PSDB-Cidadania, a conta que passou a ser feita é de que os partidos (PSD, Podemos, Avante e Novo) que apoiam a governadora Raquel Lyra reúnem 76 deputados federais, enquanto o conjunto que apoia João Campos (Federação PT-PCdoB-PV, MDB, PDT, PSB) reúnem 212 parlamentares, já considerando o PSDB. É isso que determina o tempo de televisão na propaganda eleitoral. O ex-prefeito do Recife tem o dobro. Nesses cálculos, o peso da Federação União Progressista pode parecer maior.
Bolsa de apostas
Às vésperas da convenção do PSD, uma bolsa de apostas se dá entre governistas em torno da hipótese de Raquel Lyra preencher ou não a ata com o nome do senador. Há uma possibilidade que chegou a ser discutida, nesta sexta (31), de ela hipotecar à federação a decisão. Isso pode constar no documento.
Coletivo
A segunda suplência do senador Humberto Costa foi uma construção coletiva, que também passou pela senadora Teresa Leitão. O nome de Manoel Moraes, cientista político, mestre em Ciências Sociais, doutor em Direito e filiado ao PT desde 1993, atende a uma lógica que já vem sendo adotada pelo PT, que é buscar um nome mais de centro e um mais à esquerda. O primeiro suplente é Luciano Bivar. No caso de Teresa, por exemplo, foi Silvio Costa, que é mais ao centro, e Francisco Alexandre, atual presidente da Sudene.
Vai
Presidente da Federação União Progressista, Eduardo da Fonte vai para convenção da governadora Raquel Lyra no domingo. Ele chegou de São Paulo, nesta sexta (31), e a agenda ficou combinada.