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Diario Político

com Renata Bezerra de Melo

Palácio das Princesas

Convite de Raquel risca fósforo no PP

Coube a prefeitos e deputados do partido levarem a informação ao presidente estadual da sigla e ao deputado federal Lula da Fonte

Renata Bezerra de Melo

Publicado: 23/07/2026 às 00:00

A governadora Raquel Lyra recebe, nesta quinta (23), lideranças do PP. Presidente estadual da sigla, Eduardo da Fonte não foi convidado/Fotos: Rafael Vieira/DP Foto e Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A governadora Raquel Lyra recebe, nesta quinta (23), lideranças do PP. Presidente estadual da sigla, Eduardo da Fonte não foi convidado (Fotos: Rafael Vieira/DP Foto e Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

Não foi em tom ameno que o convite feito pela governadora Raquel Lyra aos parlamentares e prefeitos do PP para um café da manhã, às 8h desta quinta (23), foi recebido nas hostes progressistas. O clima pesou entre os próprios convidados. Coube a eles transmitir a notícia ao presidente estadual da legenda, Eduardo da Fonte, e ao deputado federal Lula da Fonte.

O assunto foi levado à mesa na sede do PP na tarde desta quarta (22). Considerando a reação que se deu, não é sem um briefing que as lideranças chegarão ao Palácio das Princesas. As palavras de ordem, segundo quem acompanhou as conversas, foram: “ouvir” e “prudência”. Mas a interpretação que prevaleceu, nas coxias, foi a seguinte: “No lugar de distensionar, ela puxa o problema para o colo dela”.

Houve deputado que leu o convite como “constrangimento”. “Vai causar um grande constrangimento. Ela não pode chegar para gente e impor em quem a gente vai votar”, assinala o parlamentar em reserva. Outra fonte tachou o movimento de “negócio desarrumado”. Em pauta, está a questão do Senado, que segue sem consenso na Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil. Eduardo da Fonte e Miguel Coelho seguem ambos como pré-candidatos à Casa Alta.

Pessoas próximas à governadora, à coluna, relatam que a intenção dela é “tirar temperatura” a respeito disso mesmo. Há quem admita que a movimentações passada de Eduardo da Fonte, ao deixar o governo e voltar, ainda pesam na equação, tendo sido “traumatizante”.

“A imprevisibilidade tem seu preço na política”, argumenta uma fonte que orbita em torno de Raquel. E pondera: “Pode atrair vantagens, mas também teu seu ônus”. Do outro lado, progressistas não se furtam a externar o mal-estar: “O clima no grupo de prefeitos e deputados ficou muito mal. Por mais que ela não queira ele (Eduardo) para o Senado, juntar os filiados para tratar disso e não avisar é muito ruim para todo mundo”. A conferir.

Eduardo e Lula às 10h

Após o zum-zum-zum gerado pelo convite feito aos parlamentares e prefeitos, o Palácio das Princesas entrou em contato e agendou reunião posterior com o presidente estadual do PP, Eduardo da Fonte, e com o deputado federal Lula da Fonte. Os dois serão recebidos pela governadora Raquel Lyra às 10h. Com isso, uma pacificação pode acabar prevalecendo.

Vivendo perigosamente

A movimentação da governadora se dá na esteira das definições sobre as convenções, e Eduardo da Fonte marcou a da Federação União Progressista para o próximo dia 5, três dias depois da dela. Uma fonte palaciana define a escolha do progressista como “vivendo perigosamente”. A data foi alvo de deliberação na mesma reunião da executiva estadual que aprovou a indicação do nome de Eduardo como pré-candidato ao Senado. Ali, fora estipulado que a convenção poderia ser entre 2 e 5 de agosto e que caberia ao dirigente marcar até o último dia 20 de julho, data em que ele agendou.

Comum acordo

Miguel Coelho vai comandar convenção do União Brasil no próximo dia 1º e já confirmou presença na convenção que oficializará a candidatura à reeleição de Raquel Lyra, no dia 2 de agosto. Eduardo da Fonte também confirmou presença no ato da gestora do PSD e também comanda convenção do PP na véspera. Nisso, eles estão alinhados.

Aceno

Em Brasília, na última terça-feira (21), durante reunião da executiva nacional do PP, quando se debateu eventual apoio a Flávio Bolsonaro, Eduardo da Fonte voltou a defender que o partido ficasse neutro, num movimento de aceno ao projeto de reeleição do presidente Lula, gesto alinhado também com a estratégia de Raquel Lyra, de manter uma ponte com o petista. O PP decidiu pela neutralidade, mas uma posição contrária da nacional poderia complicar ainda mais o meio de campo em Pernambuco.

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