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com Claudia Molinna

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Por que tantos homens não reconhecem a própria violência?

Como é possível que tantas mulheres afirmem ter sofrido violência dentro de um relacionamento enquanto tão poucos homens reconhecem ter praticado alguma agressão?

Claudia Molinna

Publicado: 11/08/2026 às 07:00
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Atualizado: 11/08/2026 às 07:00

Foto ilustrativa/Reprodução

Foto ilustrativa (Reprodução)

Como é possível que tantas mulheres afirmem ter sofrido violência dentro de um relacionamento enquanto tão poucos homens reconhecem ter praticado alguma agressão? A pergunta ganha ainda mais força diante dos números: 54% das mulheres que já se relacionaram com homens afirmam ter sofrido alguma forma de violência prevista na Lei Maria da Penha, enquanto apenas 11% dos homens admitem ter cometido agressões contra parceiras ou ex-parceiras, uma diferença de 43 pontos percentuais que merece ser compreendida.

Parte dessa distância pode estar na normalização de comportamentos transmitidos durante gerações, quando muitos homens aprenderam que controlar, impor, intimidar ou decidir pela companheira fazia parte da dinâmica de um relacionamento. Atitudes que durante muito tempo receberam nomes como ciúme, autoridade, proteção ou simplesmente coisa de casal podem, na realidade, configurar violência psicológica, moral, patrimonial, sexual ou física.

Existe ainda uma dimensão psicológica importante, porque reconhecer a violência quando ela é praticada pelo outro é muito mais fácil do que identificá-la no próprio comportamento. Admitir uma atitude violenta pode significar confrontar a imagem que alguém construiu de si mesmo e, diante desse desconforto, surgem justificativas como “foi apenas uma discussão”, “eu estava nervoso” ou “nunca bati nela”.

Essa diferença de percepção não diminui a responsabilidade de quem agride, mas ajuda a compreender por que determinados comportamentos continuam sendo repetidos sem que seus autores sequer se reconheçam como agressores. E aí está um dos grandes desafios do enfrentamento à violência contra a mulher, porque quem não consegue reconhecer a violência no próprio comportamento, dificilmente compreenderá que precisa mudá-lo.

Por isso, além de proteger as vítimas e responsabilizar os agressores, precisamos ensinar também os homens a reconhecer onde termina o conflito de um relacionamento e onde começa a violência.

Mulheres são maioria do eleitorado, mas ainda têm pouco espaço na política

Foto ilustrativa - Reprodução
Foto ilustrativa (crédito: Reprodução)

Como explicar que as mulheres sejam maioria entre os eleitores brasileiros e continuem tão distantes dos principais espaços de poder? Os números tornam essa contradição evidente. Em 2026, o Brasil tem 83,9 milhões de eleitoras, que representam 52,84% do eleitorado nacional. São mais de 9 milhões de mulheres a mais que homens aptos a votar.

Entretanto, essa maioria desaparece quando observamos quem efetivamente ocupa o poder. Atualmente, as mulheres representam apenas 18% das cadeiras da Câmara dos Deputados. Em dois séculos de história do Parlamento, somente 499 mulheres estiveram entre os 13.421 parlamentares que passaram pela Câmara.

A diferença começa antes mesmo da eleição. Em 2022, aproximadamente 34% das candidaturas eram femininas, embora as mulheres já fossem maioria entre os eleitores.

Não basta, portanto, dizer que mulheres podem participar da política. É preciso observar quem recebe estrutura partidária, recursos, visibilidade e condições reais para disputar o poder.

O Brasil avançou, mas os números mostram que representação eleitoral e representação política ainda estão muito distantes.

Mulheres negras enfrentam dupla desigualdade no Brasil: de gênero e de raça

Foto ilustrativa - Reprodução
Foto ilustrativa (crédito: Reprodução)

Para as mulheres negras brasileiras, gênero e raça podem representar obstáculos simultâneos. E a política oferece um retrato significativo dessa realidade.

Nas eleições de 2022, aproximadamente 9.800 mulheres concorreram a diferentes cargos, mas apenas 302 foram eleitas. Entre elas, somente 39 eram mulheres pretas. Ao mesmo tempo, as mulheres negras representavam aproximadamente 25% do eleitorado brasileiro, revelando uma enorme distância entre presença nas urnas e presença nos espaços de decisão.

A desigualdade aparece também quando ampliamos o olhar. Em 2022, pessoas pretas e pardas chegaram a representar cerca de 50% das candidaturas nas eleições gerais. O crescimento demonstra maior participação, mas também revela que chegar à candidatura não significa necessariamente chegar ao poder.

Por isso, representatividade importa. Quando meninas negras encontram mulheres negras nas universidades, empresas, tribunais, parlamentos, delegacias e demais posições de liderança, enxergam possibilidades que durante gerações pareceram distantes.

Os números mostram que abrir a porta não basta quando nem todos conseguem atravessá-la nas mesmas condições. Igualdade verdadeira começa quando gênero e cor deixam de determinar o tamanho dos obstáculos colocados diante de alguém.

Foto ilustrativa
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