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com Claudia Molinna

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Por que ainda culpam a mulher pela violência que sofre?

Em muitos casos, anos de manipulação comprometem a autoestima e dificultam a percepção de alternativas

Claudia Molinna

Publicado: 09/06/2026 às 13:30

Por que ainda culpam a mulher pela violência que sofre?
/Imagem gerada por IA

Por que ainda culpam a mulher pela violência que sofre? (Imagem gerada por IA)

 A experiência de profissionais da segurança pública, da psicologia e da assistência social demonstra que relacionamentos abusivos raramente começam com agressões físicas. Em geral, o processo se inicia com controle excessivo, ciúmes, isolamento, manipulação emocional e outras formas de violência psicológica que, aos poucos, fragilizam a vítima.

É verdade que reconhecer sinais de risco e fazer escolhas afetivas mais conscientes pode contribuir para a prevenção. Contudo, isso não significa atribuir à mulher a responsabilidade pela violência sofrida.

Quando a sociedade pergunta por que ela permaneceu na relação, muitas vezes ignora fatores como medo, dependência financeira, dependência emocional, ameaças, pressão familiar, vergonha ou ausência de uma rede de apoio. Em muitos casos, anos de manipulação comprometem a autoestima e dificultam a percepção de alternativas.

A culpabilização da vítima produz consequências graves. Muitas mulheres deixam de denunciar por medo de julgamento ou de não serem acreditadas. Com isso, o ciclo da violência tende a se perpetuar.

A Lei Maria da Penha representou um marco fundamental na proteção das mulheres brasileiras.

Entretanto, a mudança cultural ainda é um desafio. Nenhuma mulher inicia uma relação esperando ser vítima de violência.

Combater esse problema exige investigação, punição, acolhimento e prevenção. Contudo, exige também que a sociedade compreenda uma verdade essencial: a responsabilidade pela agressão nunca é da vítima, mas de quem escolheu praticá-la. 

INFARTO: UMA AMEAÇA SILENCIOSA ÀS MULHERES

Durante muito tempo, o infarto foi visto como uma doença predominantemente masculina. Essa percepção, porém, contribuiu para que muitas mulheres não reconhecessem os sinais de alerta e, em alguns casos, demorassem a procurar atendimento médico.

Dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Cardiologia mostram que as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte entre mulheres no Brasil. Estima-se que milhares de brasileiras percam a vida todos os anos em decorrência de problemas relacionados ao coração.

Um dos desafios está justamente nos sintomas. Enquanto os homens costumam apresentar a clássica dor intensa no peito, as mulheres podem manifestar sinais mais discretos, como falta de ar, fadiga excessiva, náuseas, tonturas, dor nas costas, no pescoço ou na mandíbula. Muitas vezes esses sintomas são confundidos com ansiedade, estresse ou cansaço.

Além disso, fatores como hipertensão, diabetes, sedentarismo, tabagismo, obesidade e estresse aumentam significativamente o risco cardiovascular feminino.

A rotina acelerada também exerce influência. Muitas mulheres dedicam tempo aos filhos, à família, ao trabalho e às responsabilidades domésticas, mas acabam adiando os próprios cuidados com a saúde.

O coração feminino precisa de atenção. Consultas regulares, alimentação equilibrada, atividade física e controle dos fatores de risco continuam sendo as melhores formas de prevenção.

Cuidar dos outros é importante. Mas cuidar de si mesma também é um ato de amor e responsabilidade.

 

POR QUE AS MULHERES ESTÃO MAIS ENDIVIDADAS?



O endividamento feminino tem chamado a atenção de economistas e pesquisadores nos últimos anos. Embora as mulheres tenham ampliado sua participação no mercado de trabalho e conquistado maior autonomia financeira, muitas continuam enfrentando desafios econômicos importantes.

Levantamento da Serasa mostra que 93% das mulheres participam financeiramente das despesas da família e que cerca de um terço delas é a única responsável pelo sustento do lar. Além disso, mais de 40 milhões de mulheres brasileiras enfrentam situação de inadimplência.

Parte dessa realidade está relacionada ao fato de que milhões de mulheres assumem sozinhas ou majoritariamente as despesas da família. Além dos próprios gastos, muitas são responsáveis pelo sustento dos filhos, cuidado com pais idosos e administração do orçamento doméstico. Em períodos de crise econômica, essa responsabilidade tende a aumentar.

Outro fator relevante é a desigualdade de renda. Embora os avanços sejam significativos, as mulheres ainda enfrentam obstáculos no mercado de trabalho e frequentemente precisam conciliar a vida profissional com as responsabilidades familiares. O resultado é um cenário em que muitas precisam equilibrar múltiplas responsabilidades financeiras com recursos limitados.

Por trás das estatísticas existem histórias de esforço, planejamento e resistência. Compreender essa realidade é fundamental para promover educação financeira, ampliar oportunidades e fortalecer a autonomia econômica feminina.

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