A relação entre feminicídio e a imposição da magreza
Pesquisas da OMS apontam que o controle sobre alimentação e aparência é um dos marcadores de coerção nas relações abusivas
Publicado: 19/05/2026 às 20:55
Violência contra a mulher cresce e impacto nas empresas vai além do afastamento (Gerado por I.A)
O feminicídio é a expressão mais extrema da violência de gênero, mas seus alicerces são construídos ao longo de anos e um deles, frequentemente ignorado, é o controle sobre o corpo feminino. A obsessão cultural pela magreza não é apenas uma questão estética, pois ópera como um instrumento de dominação que pode integrar o ciclo de violência doméstica.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.437 feminicídios em 2022, uma média de quase quatro mulheres assassinadas por dia. A maioria dos casos foi precedida por longo histórico de violência doméstica, que inclui formas de controle físico, emocional e, frequentemente, alimentar.
Pesquisas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o controle sobre alimentação e aparência física da parceira é um dos marcadores de coerção nas relações abusivas. O agressor que impõe dietas, humilha o corpo da companheira e condiciona afeto ao peso exerce poder sobre sua existência, ao enfraquecer fisicamente, isolar pela vergonha e destruir a autoestima da vítima.
Esse padrão integra o que a literatura especializada chama de coerção de controle, conceito desenvolvido pelo sociólogo Evan Stark e amplamente adotado por organismos de direitos humanos.
Quando a mulher resiste e reconquista autonomia sobre o próprio corpo, pode enfrentar reações violentas. A cultura midiática reforça esse ciclo ao associar corpos magros à docilidade e submissão, atributos que facilitam o domínio masculino.
Combater o feminicídio exige, portanto, desconstruir também a moralização do corpo feminino. Enquanto o controle alimentar da mulher for normalizado, estaremos alimentando as raízes de uma violência que mata.
Quem fica com o pet? A guarda compartilhada de animais no divórcio ganha força no Brasil
A separação de um casal já é emocionalmente desgastante. Quando há um animal de estimação envolvido, a disputa pode se intensificar. Para muitos casais, o pet é membro da família.
O Código Civil brasileiro ainda classifica animais como bens móveis, mas a jurisprudência avança. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em decisões como o REsp 1.713.167/SP, já reconheceu a necessidade de considerar o vínculo afetivo com o animal em disputas de divórcio, abrindo caminho para acordos de guarda compartilhada.
Na prática, funciona de forma semelhante à guarda de filhos: visitas regulares, divisão de despesas veterinárias e, em alguns casos, pensão para o animal. Especialistas em direito de família, como a advogada Maria Berenice Dias, defendem que o bem-estar do pet deve ser o critério central de qualquer decisão. O ideal é formalizar o acordo em cartório ou homologá-lo judicialmente, evitando conflitos futuros.
Violência contra a mulher cresce e impacto nas empresas vai além do afastamento
O Brasil registrou aumento preocupante nos índices de violência doméstica e esse problema, que começa dentro de casa, atravessa os portões das empresas com consequências graves para a produtividade e a economia do país.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023, do FBSP, os registros de violência doméstica cresceram 6,5% entre 2021 e 2022. O Instituto Maria da Penha estima que uma em cada três mulheres já sofreu algum tipo de violência praticada por parceiro íntimo no Brasil.
O impacto no trabalho vai além das licenças médicas. Pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), publicada em 2022, aponta que a violência doméstica reduz a produtividade das trabalhadoras em até 60% nos dias subsequentes a episódios de agressão, mesmo quando elas comparecem ao emprego. Concentração, engajamento e desempenho são severamente afetados antes mesmo do afastamento formal.
Para as empresas, o custo é alto: rotatividade elevada, aumento de erros operacionais e perda de talentos. Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estima que a violência contra a mulher custa ao Brasil cerca de 3,4% do PIB anualmente, considerando gastos com saúde, segurança e queda de produtividade.
Países como Austrália e Nova Zelândia já garantem por lei dias de licença remunerada específicos para vítimas de violência doméstica. No Brasil, o debate cresce. O Projeto de Lei 2.436/2022, em tramitação no Congresso, propõe medidas semelhantes para trabalhadoras com registro de boletim de ocorrência.
Combater a violência contra a mulher é também uma pauta corporativa. Empresas que investem em políticas internas de apoio, canais de escuta, flexibilização de horários e treinamento de lideranças não apenas protegem vidas. Fortalecem seus próprios resultados.