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com Claudia Molinna

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Tatuagem de borboleta vira alvo de discurso misógino do Red Pill

A narrativa, ampliada por integrantes da chamada 'machosfera', ganhou escala a partir de 2025 em vídeos nas redes sociais

Claudia Molinna

Publicado: 23/04/2026 às 18:13

Tatuagem de borboleta vira alvo de discurso misógino do Red Pill/Reprodução

Tatuagem de borboleta vira alvo de discurso misógino do Red Pill (Reprodução)

A tatuagem de borboleta se tornou alvo de discursos associados ao movimento Red Pill, que difunde ideologias machistas sobre papéis de gênero. A narrativa, ampliada por integrantes da chamada 'machosfera', ganhou escala a partir de 2025 em vídeos nas redes sociais, nos quais influenciadores passaram a associar, sem qualquer embasamento, mulheres com esse tipo de tatuagem a comportamentos considerados promíscuos, instáveis ou inadequados para relacionamentos.

O fenômeno ganhou dimensão nacional, após a viralização de um vídeo em que uma mulher reproduzia uma tendência em um supermercado, alcançando mais de 8 milhões de visualizações. Nos comentários, a tatuagem foi associada a supostos sinais de alerta comportamentais, evidenciando a disseminação do discurso misógino no ambiente digital.

A simbologia da borboleta acompanha a história da tatuagem ocidental e ganhou popularidade no Brasil a partir dos anos 1990, impulsionada por sua associação à feminilidade e à ideia de transformação.
Pesquisas indicam que adeptos desse tipo de discurso frequentemente se posicionam como vítimas de um suposto “sistema pró-mulheres”, generalizando características negativas e negando atributos como lealdade e confiabilidade às mulheres.

Como reação, iniciativas de resistência surgiram. Um estúdio de tatuagem incentivou mais de 100 mulheres a tatuarem borboletas como forma de ressignificação do símbolo, que passou a representar liberdade, identidade e autonomia.


CNJ determina que audiências de violência doméstica sejam presenciais

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) definiu que audiências em processos de violência doméstica e familiar contra a mulher deverão ocorrer, preferencialmente, de forma presencial. A alteração da Resolução 354/2020 foi aprovada por unanimidade no dia 14 de abril, durante a 5ª Sessão Ordinária de 2026.

Pela nova diretriz, o formato virtual passa a ser admitido apenas em situações excepcionais e devidamente justificadas, com o objetivo de reforçar a proteção das vítimas no ambiente judicial.

O pedido foi apresentado pela advogada Hellen Falcão de Carvalho e tem como base um caso em que uma mulher foi sequestrada pelo companheiro durante um depoimento virtual em abril de 2025. A vítima, de 44 anos, participava da sessão dentro de um veículo e estava sendo mantida como refém pelo agressor, contra quem já havia uma medida protetiva.

O relator, conselheiro Ulisses Rabaneda, apresentou dados alarmantes: 29% das mulheres não reconhecem como violência situações que vivenciam e cerca de 25 milhões estão expostas a contextos de agressão. Em 2025, o país registrou 1.568 vítimas de feminicídio, aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, com crescimento acumulado de 14,5% nos últimos cinco anos.

Análise do CNJ reuniu 1.127 feminicídios registrados entre 2021 e 2024, sendo que em 148 casos a mulher já havia acionado o sistema de Justiça e recebido decisão protetiva, que ainda assim não impediu o desfecho letal. O presidente do STF, Edson Fachin, classificou a medida como urgente e relevante.


Escolas brasileiras se mobilizam contra a misoginia que avança entre jovens

Diante da explosão de conteúdos misóginos nas redes sociais e da repercussão de casos de feminicídio e estupros coletivos no país, as escolas estão dando espaço para projetos de combate ao machismo e à misoginia. As iniciativas muitas vezes partem de grupos de alunas, que procuram professores e gestores para relatar o incômodo com o que vivem e presenciam dentro e fora da escola.

Um dos casos emblemáticos ocorreu no Colégio São Domingos, em São Paulo, onde alunos de 14 e 15 anos foram suspensos após criarem, em grupos de WhatsApp, um ranking de colegas com comentários sobre atributos físicos e imagens de teor sexual.

Dados mostram que 17,4% dos casos de bullying têm como motivo o fato de a vítima ser mulher. Já o Fórum Brasileiro de Segurança Pública apurou que 37,5% das mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência entre 2024 e 2025.

Em março de 2025, o SESI-SP lançou o programa Juventudes AntiMisoginia, iniciativa voltada ao combate à discriminação contra as mulheres e à promoção da igualdade de gênero, implantado em 134 escolas e alcançando cerca de 100 mil alunos do 9º ano do fundamental e do ensino médio.

Na esfera legislativa, o PL 6.039/2025 propõe tornar obrigatório o ensino de prevenção à misoginia do 6º ano ao fim do ensino médio em redes pública e privada.

O Reino Unido saiu na frente, pois o Ministério da Educação britânico instituiu a obrigatoriedade de aulas de combate à misoginia a partir de setembro deste ano.

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