Eleições começam e movimentam o faturamento da indústria gráfica
Avanço dos meios digitais, maior parte dos gastos eleitorais continua sendo a confecção de materiais gráficos, como adesivos, cartazes, folhetos e os populares santinhos. Faturamento das empresas chega a crescer mais de 30% no período da campanha
Publicado: 16/08/2026 às 08:00
Tribunal Regional Eleitoral apresenta a estrutura e demonstra testes da urna eletrônica para as Eleições de 2026 (Fernando Frazão/Agência Brasil© )
A campanha eleitoral de 2026 começa oficialmente neste domingo, 16 de agosto, trazendo um paradoxo intrigante. Apesar de as disputas serem cada vez mais digitais, em termos financeiros o material impresso continua sendo o carro-chefe da propaganda eleitoral. Os gastos com impulsionamento digital avançam de forma acelerada, é verdade, seguindo praticamente o mesmo ritmo das preocupações suscitadas na Justiça Eleitoral pelo uso da inteligência artificial.
De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), a despeito do crescimento acelerado do meio digital nas últimas quatro eleições (2018, 2020, 2022 e 2024), os impressos continuam dominando a propaganda eleitoral. As informações constam nos levantamentos “Impacto da Economia e das Eleições 2022 na Indústria Gráfica” e “O Impacto das Eleições na Indústria Gráfica 2024”, realizados pela instituição no período eleitoral daqueles anos.
Negócios eleitorais
Em que pesem os perfis eleitorais distintos entre os pleitos de 2022 (presidente, governador, senadores e deputados) e 2024 (prefeitos e vereadores), os estudos revelam que pouco mais de um terço da indústria gráfica nacional trabalhou com a impressão de material de campanha (34,3% em 2022 e 37,2% em 2024). Para essas empresas, o período eleitoral representou um incremento de faturamento superior a 20%.
Em relação às eleições municipais, as eleições gerais proporcionam um impacto financeiro maior ao setor gráfico — afinal, há mais candidatos demandando santinhos, cartazes, praguinhas e adesivos automotivos. Em 2022, 27,1% das gráficas consultadas relataram aumento superior a 30% nas receitas, enquanto em 2024 esse percentual foi de 8,6% (na comparação com anos ímpares, sem disputas nas urnas). O material em papel mais demandado segue sendo o santinho tradicional (93,1% das gráficas que atenderam campanhas o produziram em 2024), seguido por folhetos (84,5%) e colinhas (69%).
Do ponto de vista do emprego, no entanto, o efeito é bem mais modesto do que se poderia supor. Das gráficas que atenderam demandas de campanha em 2024, 83,3% mantiveram o quadro de funcionários inalterado. Entre as que contrataram temporários, a maioria reforçou o setor de acabamento (80,8%), e não a área de impressão em si.
Prestação de contas
As prestações de contas disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que o material impresso (somando papel e adesivo) consumiu pouco mais de R$ 900 milhões nas eleições de 2024, enquanto os impulsionamentos movimentaram R$ 139,25 milhões, uma proporção de 6,5 para 1.
Embora ainda represente uma fatia menor dos gastos totais, a publicidade digital avança de modo acelerado. Entre 2020 e 2024 — ambas eleições municipais —, as despesas com impulsionamento de conteúdo em redes sociais subiram quase 70%, passando de R$ 108,5 milhões para R$ 170 milhões, considerando apenas o primeiro turno.