Remoção de escombros em prédio que desabou no Brás deve durar até três dias, estimam bombeiros
Imóvel de quatro andares abrigava depósito de tecidos na região central de São Paulo; 35 pessoas sobreviveram e Defesa Civil interditou prédios vizinhos
Publicado: 07/11/2026 às 18:14
Equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros atuam no local, na Rua Maria Joaquina, na região do Brás, região central de São Paulo (PMESP/Divulgação)
O Corpo de Bombeiros retomou, na manhã deste sábado (7), a remoção dos escombros de um prédio de quatro andares que desabou na noite de sexta-feira (6), no Brás, região central de São Paulo. O local, na altura do número 200 da Rua Maria Joaquina, abrigava um estoque de tecidos.
Ao todo, 35 pessoas que estavam no imóvel sobreviveram: oito conseguiram sair logo após o desabamento e outras 27 foram retiradas pelas equipes de resgate. Quatro pessoas foram encaminhadas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Mooca, sem risco de morte.
Após a suspensão dos trabalhos manuais durante a madrugada por falta de segurança, as buscas foram retomadas com o auxílio de maquinário pesado a partir das 6h30 deste sábado. Por volta das 11h, cães de salvamento vistoriaram a área e não identificaram sinal de vítimas sob os destroços.
Apesar da ausência de registros de desaparecidos, os bombeiros mantêm a cautela. "Não dá para descartar 100% a presença de uma pessoa ali", afirmou o tenente-coronel Rodrigo Otávio Barelli, comandante do 1º Grupamento de Bombeiros. "A probabilidade se reduz porque os cães não deram sinal hoje e ninguém procurou as equipes para relatar o desaparecimento de parentes. No entanto, só poderemos excluir totalmente a hipótese quando chegarmos ao ponto exato indicado pelo cão na noite de sexta-feira".
Segundo o oficial, a remoção do entulho deve levar de dois a três dias. "É um trabalho de formiga. Há mais de 15 metros de entulho e estrutura colapsada no caminho até o ponto que precisa ser vistoriado", explicou.
Novo colapso durante a limpeza e impacto nos vizinhos
Durante a operação de limpeza efetuada com duas pás carregadeiras e uma retroescavadeira, na manhã deste sábado, a estrutura remanescente do edifício voltou a ceder. A fachada e a parte central sofreram um novo colapso parcial, afetando duas lajes em uma área de aproximadamente 50 metros quadrados. Os bombeiros concluíram a demolição da parte restante para garantir a segurança dos trabalhos.
"A equipe operava com cautela quando identificou uma rachadura grande na fachada frontal. Recuamos o operador para preservar sua integridade física e permitimos que a estrutura acabasse de descer", relatou o tenente-coronel Barelli.
O desabamento também afetou imóveis vizinhos. Duas edificações foram interditadas preventivamente pela Defesa Civil e passam por avaliação pericial. “O imóvel do lado esquerdo sofreu o impacto mais grave e teve laudo de interdição emitido. O do lado direito está bem preservado e possivelmente poderá ser liberado para reforma após nova análise pericial”, informou o comandante.
Excesso de peso e falta de documentação
A principal hipótese investigada para o colapso é o excesso de carga armazenada na edificação. O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, declarou que o desabamento começou pelo mezanino, que não teria suportado o peso do material. "A perícia ainda vai apurar as causas", pontuou.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, do Movimento Democrático Brasileiro, reforçou a suspeita. "A grande suspeita, a se confirmar ainda, é de excesso de peso. Muitos caminhões chegaram a esse local para armazenar tecido, e o excesso de peso pode ter ocasionado o desmoronamento".
O tenente-coronel Barelli confirmou a presença massiva de mercadorias no prédio. "Além da estrutura de concreto, o que retiramos até agora são rolos e rolos de tecido. Existia uma carga muito grande armazenada no imóvel", explicou o oficial, detalhando a dimensão da estrutura que cedeu: "A área colapsada é de cerca de 50 metros quadrados, 10 metros de frente por 5 metros de profundidade".
O motorista José Luiz de Melo, que colabora com a prefeitura dirigindo um dos caminhões de remoção, relatou que apenas 10% do material foi retirado. "Até agora foram três ou quatro caminhões, e tem mais para ir. O entulho ainda está lá, tiramos só tecido por enquanto".
Em relação à regularização, o Corpo de Bombeiros informou que o imóvel não possuía o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros. Barelli explicou que, quando uma edificação não cumpre as exigências, a corporação aplica advertências, notificações e multas até repassar o caso à prefeitura, órgão responsável por efetuar a interdição administrativa.
A Secretaria Municipal das Subprefeituras confirmou que o estabelecimento também não possuía licença de funcionamento vigente. A pasta informou, porém, que não havia registros anteriores de denúncias sobre as condições de segurança da edificação ou sobre comércio irregular no endereço.
- Prédio de quatro andares desaba no Brás, região central de São Paulo
- Rafael Câmara largará em 11º em sua corrida de estreia na F1; Norris fica com a pole em Interlagos
- Enem 2026: confira as regras, os horários e os itens proibidos na prova
- Covid-19: pelo menos 5 estados registram aumento de casos graves