Lima Duarte é acusado de racismo após fala em premiação da APCA
A repercussão nas redes sociais acompanhou o desconforto daqueles presentes na cerimônia
Publicado: 06/05/2026 às 10:48
Lima Duarte (Foto: Globo/Estevam Avellar)
O ator Lima Duarte, de 96 anos, tornou-se o centro de uma controvérsia sobre racismo após discurso de agradecimento no Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), na última segunda-feira (4). Ao resgatar memórias da adolescência, o artista narrou um episódio em que teria se recusado a frequentar um ambiente devido à cor da pele das mulheres que ali trabalhavam.
No palco, Duarte rememorou o período em que, aos 15 anos, deixou o interior de Minas Gerais para trabalhar no Mercado Municipal de São Paulo. Ao tentar ilustrar a dureza daquela época, narrou um convite feito por um amigo para visitar a zona de prostituição no bairro do Bom Retiro.
“Um moleque chegou para mim e falou: ‘Vamos na zona?’. Eu falei: ‘Vamos na [Rua] Itaboca’. Ele falou: ‘Só tem preta’. Eu não fui. Moleque de rua, dormi embaixo do caminhão, não fui porque só tinha preta. Que vida, hein? Que coisa eu fui percebendo ao longo dessa vida. Então, fomos na [Rua] Aimorés”, relembrou o ator.
Na mesma noite, as artistas Shirley Cruz, Grace Passô e Carmen Luz, também homenageadas pela premiação, utilizaram seus tempos de fala para contestar as palavras do veterano. Carmen Luz foi enfática: “As mulheres pretas não estão no mundo para serem recusadas. Levantai-vos”.
A repercussão nas redes sociais acompanhou o desconforto daqueles presentes na cerimônia, apontando que a 'anedota' carregava o peso da desumanização dos corpos negros, mesmo sob a justificativa de ser uma memória de juventude.
Diante da escalada das críticas, o ator publicou um pronunciamento oficial no dia seguinte. Na nota, ele busca contextualizar a fala, afirmando que o objetivo era retratar um "Brasil muito duro" e que a intenção era oferecer um "olhar de quem respeita e entende uma luta que é de todos".