Cunhado de Vorcaro contrata advogado que atuou para Bolsonaro
Fabiano Zettel está preso por ordem do STF e é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do esquema; mudança ocorre em meio à possível delação
Wal Lima - Correio Braziliense
Publicado: 25/03/2026 às 15:22
Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, trocou a defesa enquanto segue preso e investigado como operador financeiro do esquema ligado ao Banco Master (Reprodução/Facebook/Fabiano Zettel Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, trocou a defesa enquanto segue preso e investigado como operador financeiro do esquema ligado ao Banco Master - (crédito: Reprodução/Facebook/Fabiano Zettel))
O empresário Fabiano Zettel, cunhado do ex-CEO do Banco Master Daniel Vorcaro, trocou nesta quarta-feira (25) sua equipe de defesa. O caso passa a ser conduzido pelo advogado Celso Vilardi, que também representa o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Deixaram a defesa os advogados Maurício Campos Jr., Juliano Brasileiro e João Victor Assunção, que alegaram motivo de foro íntimo.
Preso desde o início de março por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, Zettel é investigado no âmbito de apuração conduzida pela Polícia Federal sobre um suposto esquema de irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master. Segundo os investigadores, ele teria desempenhado papel estratégico na movimentação de recursos do grupo.
Na decisão que autorizou a prisão, Mendonça apontou que o empresário atuava na “intermediação e operacionalização de pagamentos”, sendo considerado peça-chave na dinâmica financeira da organização investigada. A PF sustenta que Zettel funcionava como operador responsável por viabilizar transações consideradas suspeitas, conectando diferentes núcleos do esquema.
Além da atuação empresarial, Zettel também ganhou notoriedade por sua ligação com a Igreja Batista da Lagoinha, onde exercia a função de pastor até ser afastado após o avanço das investigações. Nos bastidores, a relação familiar com Daniel Vorcaro é apontada como um fator relevante para sua inserção e influência no núcleo investigado.
O caso também tem sido acompanhado com atenção por parlamentares no Congresso Nacional. Integrantes da CPMI do INSS avaliam que o modelo de atuação financeira identificado nas investigações pode ter pontos de contato com esquemas mais amplos de fraudes e lavagem de dinheiro que atingem diferentes setores, incluindo o sistema previdenciário. Já na CPI do Crime Organizado, há discussões sobre a convocação de envolvidos para prestar esclarecimentos, diante da suspeita de atuação estruturada e interestadual.
A mudança na defesa ocorre em meio aos primeiros movimentos de um possível acordo de delação premiada de Vorcaro. A expectativa é de que eventuais revelações possam ampliar o alcance das investigações, atingindo outros agentes e detalhando o funcionamento do suposto esquema.
Com a entrada de Vilardi, a defesa de Zettel deve adotar nova estratégia, especialmente diante do avanço das apurações e da possibilidade de colaboração de outros investigados. O caso segue sob relatoria no STF e permanece em fase inicial, com diligências ainda em andamento por parte da Polícia Federal.
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