Operação Somnus: PF cumpre mandados contra suspeitos de integrar rede internacional de abusos sexuais
Ação mira sete brasileiros investigados por envolvimento na difusão de vídeos de violência sexual contra mulheres sedadas; mandados foram cumpridos em cinco estados
Publicado: 11/02/2026 às 10:18
Polícia Federal (Polícia Federal/divulgação)
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (11), a Operação Somnus, com o objetivo de apurar e reprimir crimes contra a dignidade sexual. A ação cumpre três mandados de prisão temporária e sete mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Ceará, Pará, Santa Catarina e Bahia. Segundo a corporação, sete brasileiros são investigados por suspeita de integrar uma rede transnacional dedicada à difusão e à troca de vídeos de abusos sexuais cometidos contra mulheres em estado de sedação.
As investigações tiveram início em 2025, após a PF receber informações provenientes de cooperação policial internacional, por meio da Europol. A apuração envolve mais de 20 países e aponta para a atuação de grupos organizados que compartilhavam, pela internet, conteúdos de violência sexual. De acordo com a polícia, as mensagens trocadas entre os suspeitos indicam que eles discutiam o uso de medicamentos com propriedades sedativas, demonstrando conhecimento sobre marcas comerciais e possíveis efeitos adversos dessas substâncias.
Durante o cumprimento dos mandados nesta quarta-feira (11), foram apreendidos equipamentos eletrônicos, dispositivos de armazenamento de dados, celulares, computadores e outros materiais potencialmente ligados às atividades investigadas. O conteúdo recolhido será submetido à perícia.
As condutas investigadas podem se enquadrar nos crimes de estupro de vulnerável e de divulgação de cena de estupro ou de estupro de vulnerável, sem prejuízo de outras tipificações penais. No Brasil, os fatos também são apurados com base na Lei nº 13.642/2018, que atribui à Polícia Federal a competência para investigar crimes praticados pela internet que envolvam a propagação de conteúdo misógino. Segundo a PF, há indícios de manifestações de ódio, repulsa e objetificação da mulher, o que demanda resposta estatal integrada.