Enamed: 13 mil formandos que participaram do exame são de faculdades com notas 1 e 2, alerta Conselho Federal de Medicina
Para o CFM, o conceito conquistado por três em cada 10 estudantes do último ano do curso no Enamed é "crítico e insuficiente", conforme os resultados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), na segunda (19)
Publicado: 21/01/2026 às 12:37
Enamed é a modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de medicina (Etatics Inc/Pexels)
Dos 39.256 concluintes de medicina que participaram do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, 13.871 estão se formando em faculdades com conceitos 1 e 2, com notas abaixo da nota mínima aceitável pela própria metodologia adotada pelo MEC, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM).
Para o CFM, o conceito conquistado por três em cada 10 estudantes do último ano do curso é “crítico e insuficiente”, conforme os resultados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), na segunda (19).
No site da entidade, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, afirmou que os números confirmam um “alerta inequívoco que a autarquia vem fazendo sobre a formação médica no Brasil”.
Para ele, quando mais de um terço dos egressos de Medicina obtém desempenho considerado insuficiente pelo próprio MEC, é sinal de “um problema estrutural gravíssimo”.
Ele afirmou, ainda, que mais de 13 mil graduados em medicina receberão diploma e registro para atender a população sem terem competências mínimas para exercer a medicina.
“Isso é assustador e coloca em risco a saúde e a segurança de milhões de brasileiros”, alerta Gallo.
Resultados
Para o CFM, o resultado do Enamed/MEC mostra que a “expansão acelerada de cursos, especialmente no setor privado, não foi acompanhada de critérios mínimos de qualidade, infraestrutura e campo de prática adequados”.
De 24 faculdades de medicina que tiraram nota 1 (conceito crítico), 17 são particulares. Já entre aquelas 83 que atingiram apenas o conceito 2 (insuficiente), 72 são particulares. Dos 350 cursos de medicina avaliados pelo MEC, apenas 49 conquistaram nota 5, sendo que 84% são públicos.
“O Enamed cumpre seu papel ao tornar visível uma realidade que o CFM denuncia há mais de 10 anos: a má qualidade do ensino médico vinculada à abertura indiscriminada e desqualificada de escolas sob autorização do MEC. 96% da população brasileira reconhece a necessidade e é absolutamente necessário que o Congresso Nacional aprove o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), que será obrigatório para concessão do registro aos novos médicos. É responsabilidade dos Conselhos de Medicina fiscalizar a atividade médica no Brasil e isso precisa ocorrer desde a concessão do registro, pois, temos que garantir que apenas profissionais capacitados se tornem médicos – fato que hoje, infelizmente, não é possível garantir”, destaca o presidente do CFM.
Os resultados mostram que o MEC reconhece que 107 faculdades de medicina possuem nível crítico e insuficiente quando se trata da qualidade do ensino e outras 80 escolas atingem apenas critérios minimamente aceitáveis.
Entre as escolas notas 1 e 2, São Paulo lidera o ranking, considerando números absolutos (23 cursos com 3.437 estudantes de medicina concluindo o curso). A Bahia aparece em segundo lugar (12 cursos e 1.396 alunos), seguida de Minas Gerais (12 cursos e 1.307 estudantes) e do Rio de Janeiro (10 cursos e 1.353 concluintes).
Para segurança da população, o CFM defende que todos os cursos de medicina em funcionamento no País tenham, no mínimo, nota 4 – o que significa que, pelo menos, 75% de seus alunos obtiveram um Bom Desempenho, segundo conceito definido pela metodologia do MEC.