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Espetáculo internacional leva acrobacia de alto risco ao Recife, no Festival de Circo do Brasil

A montagem "Isla of Flightless Birds" abre o Festival de Circo do Brasil nesta sexta-feira (30), no Paço do Frevo, com acrobacias em mastro chinês e entrada gratuita

Por Allan Lopes

"Isla of Flightless Birds" estreia no Recife com uma apresentação em mastro chinês

Em uma apresentação que desafia a gravidade, o espetáculo “Isla of Flightless Birds” promete prender a respiração do público recifense no Festival de Circo do Brasil. A montagem, fruto de uma colaboração multicultural entre Portugal, Brasil e Eslovênia, abre as alas da edição comemorativa de 20 anos do evento nesta sexta-feira (30), às 17h30, ocupando o Paço do Frevo, e no sábado (31), às 14h30, no Parque Santana. 

Sem redes de proteção, cabos laterais ou base fixa no chão a coreografia se sustenta apenas pelo equilíbrio e contrapeso dos artistas para simbolizar a importância da confiança nas relações. O restante da programação, que é gratuita, está disponível no site do festival.

Apesar de concebido em solo português, o projeto reflete um forte intercâmbio cultural desde o primeiro ensaio. O espetáculo foi estruturado para circular internacionalmente pelas mentes do brasileiro Fernando Nogueira e da eslovena Tjasa Dobravec, que assinam a criação.

O trabalho inicia sua jornada transatlântica no Recife e tem rota traçada para a Europa no próximo ano. ““Apresentar para o público de Pernambuco é uma grande honra. Sabemos o quanto o circo é valorizado aqui e como o apoio do público é fundamental para manter essa arte viva e fortalecer sua presença no Brasil.”, celebra Fernando em entrevista ao Diario.

Os dois acrobatas comandam a cena em um mastro chinês vertical usado para saltos e posições aéreas. Diferente do habitual, o aparelho não conta com nenhuma fixação no piso ou amarras suspensas.

A partir daí, a engenharia do espetáculo torna-se milimétrica: se os artistas não calcularem cada movimento em perfeita sincronia, a estrutura inteira desaba. “São limites estabelecidos por ambos, que envolvem os espaços individuais e coletivos. O risco vai aumentando gradualmente à medida que a confiança entre nós se fortalece”, comenta Fernando Nogueira.

O título, cuja tradução é “A Ilha dos Pássaros que Não Voam”, amarra o significado de toda a performance: ninguém consegue levantar voo sozinho e a convivência humana é a única engrenagem capaz de gerar o movimento.

“Por que um pássaro não voa? Porque não precisa ou porque não quer? Essa dualidade entre limitação e ascensão também se reflete na dramaturgia do espetáculo, que apresenta conflitos de espaço e de presença até que eles se transformem em um desejo comum de ascensão”, argumenta o artista.

Programação
Além do mastro equilibrado no Paço, a celebração das duas décadas do Festival de Circo do Brasil monta acampamento no Parque Santana no sábado (31) e no domingo (1º).

A grade gratuita reúne a comédia musical da Cia Jimena Cavalletti (Espanha), a dança sobre a liberdade feminina de Dulce Duca (Portugal) e a palhaçaria ribeirinha do Gran Circo Opará (PB).

As manifestações pernambucanas completam a festa no picadeiro aberto com muito coco de roda e cortejos infantis de maracatu, acompanhados por vivências de malabarismo e práticas de yoga.

A diretora e curadora do evento, Dani Hoover, pontua que a expectativa é promover um grande encontro focado na reinvenção constante da arte circense. “Queremos que o público se surpreenda, descubra novas linguagens e perceba como o circo é uma arte viva, que está sempre se reinventando. Celebrar essas duas décadas é também olhar para o futuro e continuar abrindo caminhos para o circo contemporâneo”, destaca.