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Maracatu rural desembarca no Japão com turnê de Nailson Vieira que une o folguedo à música pop

Com sete shows em cidades japonesas, Nailson Vieira leva a música e as manifestações culturais de Pernambuco ao público asiático

Por Allan Lopes

Nailson estará acompanhado de Homero Basílio e Chiquinho Moreira nos palcos japoneses

A cultura popular da Zona da Mata Norte, um dos símbolos máximos da identidade pernambucana, está prestes a romper fronteiras para ecoar em solo japonês. Com o coração e as raízes fincadas em Nazaré da Mata, Nailson Vieira — presidente do Maracatu Estrela Brilhante e brincante no Bloco Rural Estrelinha — desembarca no Japão para uma turnê especial de sete shows, prevista para começar a partir da próxima terça-feira (27).

O giro passará por Kyoto, Wajima e Tóquio até o início de novembro, conectando a essência do maracatu e da ciranda diretamente com a terra do sol nascente.

Criado na periferia e imerso nas manifestações culturais do estado, o músico enxerga o projeto como uma grande vitória para quem compartilha as mesmas origens .”Estou conseguindo chegar a lugares onde não imaginava chegar. A música e a cultura popular proporcionaram essas conquistas”, celebra Nailson em entrevista ao Diario.

O intercâmbio cultural nasceu de um convite da Embaixada do Brasil no Japão, efetuado após o próprio Homero Basílio — que também assina a produção musical do projeto — realizar uma apresentação no país em 2025. No palco, ele terá a companhia de Chiquinho Moreira nos teclados e do próprio Homero na bateria e percussão.

Curiosamente, a rota entre Recife e o Japão refaz o mesmo caminho trilhado por Chico Science & Nação Zumbi durante a histórica turnê internacional do álbum “Da Lama ao Caos”. “Tenho muita referência do Chico porque minha música também conecta o que é tradicional ao universo do pop”, ressalta Nailson.

As canções de “Sou, Estou” (2025), seu primeiro álbum autoral lançado, trazem exatamente o resultado dessa mistura. O repertório que o público japonês vai ouvir une o peso percussivo do maracatu de baque solto a beats eletrônicos.

A viagem coroa um período de intensa expansão para o músico, que este ano também viajou ao Peru para ministrar um workshop de Maracatu de Baque Solto em um congresso de etnomusicologia, fruto de uma parceria da UFPE com a professora Cristiane Galdino.

Diante de mais um desafio no exterior, o artista projeta retornar do Japão com a certeza que representou suas origens “Quando saio de Nazaré da Mata, levo comigo toda a minha gente, com muita legitimidade e verdade. Quero levar adiante aquilo que faz parte de mim e que carrego no íntimo, representando o maracatu e a cultura pernambucana”, pontua.