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Com apresentação de Lirinha, série joga luz sobre lado pop e versátil de João Cabral de Melo Neto

Escritos e dirigidos por Adelina Pontual e Hilton Lacerda, os sete episódios de 'João Cabral: Palavras Impossíveis de Poema' serão exibidos semanalmente no Canal Brasil

Por André Guerra

João Cabral de Melo Neto (1920-1999)

Percorrendo distintas linguagens para apresentar o universo de um dos maiores poetas brasileiros, a série “João Cabral: Palavras Impossíveis de Poema” nasce do anseio de duas vozes em aprofundar a dimensão atemporal de seu trabalho. Os diretores e roteiristas pernambucanos Adelina Pontual e Hilton Lacerda reúnem, ao longo de sete episódios, artistas e pesquisadores cujo trabalho é, de alguma forma, atravessado pela obra do autor-título.

O piloto estreia nesta terça-feira (20), às 20h, com reprise na quarta (21), às 18h30, e sexta (23), às 14h30. Os dias e horários seguirão a mesma ordem com os lançamentos semanais.

Cantor, compositor e poeta, José Paes de Lira, o Lirinha - conhecido pela sua atuação à frente do Cordel do Fogo Encantado - conduz os capítulos até, finalmente, aparecer no centro da narrativa. Apesar de complementares, cada um pode ser assistido de forma autônoma e independente, todos reforçando como João Cabral de Melo Neto (1920-1999) marcou a história da literatura pernambucana e nacional ao conferir uma nova estrutura de linguagem à realidade social brasileira.

Em entrevista ao Diario, Hilton Lacerda reforça o caráter amplo e complexo da poesia dele. “Conseguia trazer a experiência poética para um aspecto concreto da sociedade de modo único. Coisas que para muita gente pareciam impossíveis de se cruzarem se tornaram a tônica dentro do trabalho de João Cabral”, destaca o realizador. “Nossa ideia era que, a partir da leitura de outras artes, as pessoas pudessem mergulhar junto com a gente na complexidade, atemporalidade e versatilidade dos versos”, acrescenta.

Adelina Pontual salienta ainda que as inovações estéticas de João Cabral propõem conexões com todas as artes. “Desde os trabalhos gráficos até a música, passando pelo teatro e até pela arquitetura, buscamos, com a série, trazer para essa geração atual uma maneira diferente de apresentar um poeta. Muita gente tem a ideia de que se trata de um escritor hermético, fechado, inacessível. É sempre um desafio adaptá-lo, mas todos os entrevistados demonstram que sua obra pode ser analisada e resgatada sob inúmeros prismas”, afirma a diretora.

O primeiro episódio é chamado “Os 10 Mil Dedos da Linguagem” e é um apanhado de falas de pessoas próximas às leituras, propondo uma introdução aos textos. O segundo, “Borracha e Pássaro”, se volta à dança, com a presença forte da coreógrafa Deborah Colker e destaque para sua adaptação de “Cão sem Plumas” para o teatro, entre outras surpresas. No terceiro, intitulado “Outra Vez Feto”, a arquitetura torna-se personagem central na construção poética e quem serve de fio condutor é o arquiteto recifense José Tavares Lira.

O episódio 4 será sobre artes gráficas e se chamará “O Azul e o Encarnado”, no qual o artista e tipógrafo Rico Lins toma a frente para relacionar João Cabral a um aspecto fortemente visual de sua obra. Já o quinto, de nome “Máquina de Emocionar”, é focado no universo teatral, tendo como referência o espetáculo “Estudo nº 1: Morte e Vida”, do grupo Magiluth, e expandindo os conceitos do escritor a um mundo que ele dizia rejeitar, mas com o qual seu diálogo era inequívoco.

O sexto capítulo dedica-se às artes plásticas e leva o nome de “Meus Olhos Têm Telescópios”, costurado na tela pelo curador Moacir dos Anjos, que usa duas de suas experiências com a obra de Cabral em exposições realizadas por ele. E o episódio final, “Uma Dicção Diferente”, coloca Lirinha, narrador de todos os demais, como personagem principal e, neste, a música torna-se o fechamento da série e, por outro lado, uma abertura inesperada para que as palavras do poeta cheguem a ainda mais pessoas.

A série foi toda gravada entre 2024 e 2025. Para Hilton, o projeto é, desde o começo, pensado para dar uma dimensão pop a João Cabral de Melo Neto, o que se reflete nas escolhas de entrevistados e na linguagem da série. De sete faces poéticas, afinal, desdobram-se diversas outras.