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Jornalistas, amigos e familiares se despedem do escritor Homero Fonseca, ex-editor-chefe do Diario

O velório do jornalista Homero Fonseca, ex-editor-chefe do Diario, aconteceu neste domingo (23), no cemitério Morada da Paz, em Paulista, onde reuniu amigos, familiares e colegas de profissão

Por Guto Moraes

Velório de Homero Fonseca foi marcado pela celebração de sua memória como pai, amigo, escritor e jornalista

Jornalistas, escritores, personalidades da cultura, amigos e familiares estiveram reunidos, na tarde deste domingo (23), para o último adeus ao jornalista Homero Fonseca, ex-editor-chefe do Diario de Pernambuco, falecido no sábado (22). A cerimônia foi realizada no cemitério Morada da Paz, no município de Paulista.

O momento foi marcado pela celebração à memória do profissional de imprensa, escritor e curador de arte, que deu início ao processo de informatização do Diario nos anos 1990. Amigos por meio século, o também ex-editor-chefe do Diario, Ricardo Leitão, destacou a competência e honestidade do colega de profissão. “A perda dele é também uma perda para o jornalismo pernambucano”, apontou.

Ao recordar a passagem de ambos pela revista Veja e na construção do jornal Folha de Pernambuco, na virada do século, Ricardo disso: “Ele tinha um grande compromisso com Pernambuco ao contribuir para discutir as questões do estado e traduzir, no jornal, as prioridades da população”.

Familiares recordaram as paixões de Fonseca por histórias, pelo Carnaval e pelo futebol. No velório, seu corpo foi trajado com a camisa do Santa Cruz Futebol Clube e segurava na mão uma peça artesanal de onça-pintada. “Ele era tricolor. Adorava [o time]. É muito a cara dele. Além do que era um grande contador de causos e tinha uma coleção de onças na prateleira”, explicou a filha Clara Fonseca.

Nos seus últimos dias, Homero Fonseca ouvia jazz. “Para ele ir em paz”, conta a caçula Ana Fonseca, ao relembrar a preocupação de Homero com o cenário político brasileiro. “Ele disse que, se pudesse, iria votar na cadeira de rodas. Nós estávamos lamentando que ele morreu sem ver o Santa [Cruz] ganhar ontem e sem saber o resultado das eleições.”

Companheira das últimas horas, a esposa e jornalista Iracema Rodrigues disse que “Homero era um homem incansável em busca do conhecimento, que tinha uma conduta de muita lealdade”. “Ele era ‘o ateu mais cristão da face da Terra’ exatamente por praticar as virtudes, por ter compaixão pelas pessoas e brigar pela igualdade social”, descreveu.

Seu filho, José Henrique, recordou a luta de Homero contra o câncer no pâncreas, diagnosticado em julho de 2025. “Ele vinha passando por todo esse processo consciente, lúcido, participou de todas as decisões, enfrentou todas as possibilidades e foi muito guerreiro. Ele trilhou o seu caminho e deixou muitos exemplos”, declarou.