Pluralidade musical de PE é tema de espetáculo da Orquestra Meninas e Meninos da Alegria no Recife
Orquestra Meninas e Meninos da Alegria traz o projeto "Pernambuco Dança Assim" ao Teatro do Parque neste domingo (16), às 16h
Em sua terceira turnê, e pela primeira vez se apresentando em um teatro, a Orquestra Meninas e Meninos da Alegria traz o projeto “Pernambuco Dança Assim” ao Teatro do Parque. Com direção artística do maestro Clóvis Pereira Filho, o espetáculo, que acontece neste domingo (16), às 16h, reúne música, teatro e dança para acompanhar a jornada de um viajante que se vê diante de uma disputa simbólica, em Pernambuco, entre o carnaval e o São João. Os ingressos podem ser adquiridos gratuitamente pelo Sympla ou na bilheteria do teatro.
Ao longo de cerca de uma hora de duração, o viajante vai descobrir que a força do estado não cabe unicamente no frevo ou no forró, na ciranda ou no xaxado, no maracatu ou nas referências armoriais, mas que sua pluralidade é o verdadeiro triunfo. Em 2025, foi realizada uma montagem contemplativa, com uma atmosfera que apostava no cuidado e na observação. A intenção desta versão atual é de gerar uma identificação imediata.
“Queríamos um espetáculo com mais energia, que criasse uma conexão imediata com o público. É uma homenagem a Pernambuco, mas também aos cantores, compositores e artistas que ajudaram a construir essa identidade”, afirma Marcello Henrique, autor e diretor cênico da montagem. “Existe sempre essa brincadeira sobre qual é a maior festa de Pernambuco, se é o Carnaval ou o São João. O espetáculo parte dessa disputa para mostrar que Pernambuco dança de todas as formas possíveis”, acrescenta.
Dividida em cinco atos, a montagem começa com a chegada do viajante e avança pelo chamado do São João, pelo convite do Carnaval, pelo duelo entre as duas festas e pela revelação final. O repertório inclui obras como “Vida de Viajante”, de Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil; “Reino da Pedra Verde”, de Clóvis Pereira; “Feira de Mangaio”, de Sivuca e Glorinha Gadelha; “Meu Xodó”, de Dominguinhos; “Madeira que Cupim Não Rói” e “Frevo e Ciranda”, de Capiba; “Morena Tropicana”, de Alceu Valença; “Vassourinhas”; “Voltei, Recife”, de Luiz Bandeira; “Leão do Norte”, de Lenine e Paulo César Pinheiro, e o Hino de Pernambuco.
ORIGENS
Criada em 2022, a Orquestra Meninas e Meninos da Alegria é um dos principais resultados do trabalho de formação artística desenvolvido pela Giral, em Glória do Goitá, no interior de Pernambuco. Mais de 500 crianças e adolescentes já passaram pelas atividades do projeto desde o início das oficinas de música.
Atualmente, a orquestra reúne 35 integrantes com idades entre 10 e 21 anos. Muitos chegaram ao projeto sem nunca terem segurado um instrumento ou assistido a uma apresentação de orquestra. Filhos de agricultores, costureiras, professores, trabalhadores autônomos e moradores de comunidades rurais, os estudantes encontram na Giral acesso à formação musical em uma região onde escolas especializadas estão distantes e o deslocamento até o Recife nem sempre é possível.