Livro reúne memórias indigenistas no Nordeste das décadas de 70 e 80
Lançamento do livro "Retomada - Memórias Indigenistas no Nordeste" acontece nesta quarta-feira (12), em Caruaru, e na sexta-feira (14) no Recife, dentro da programação da IX Jornada de Estudos sobre Etnicidade, organizada pelo Núcleo de Estudos sobre Etnicidade da UFPE
“Memória é poder. Lembrar é um ato político, especialmente em uma sociedade que tende ao esquecimento”. Este é o ponto de partida do livro “Retomada - Memórias Indigenistas no Nordeste: uma mirada sobre o acervo do CIMI de 1978 a 1988”. A publicação, com 220 páginas, traz no centro de sua narrativa os processos de luta por direitos protagonizados pelos povos indígenas no Nordeste, a partir do acervo do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) - Regional Nordeste. O livro tem organização assinada pelos pesquisadores/as e antropólogo/as Lara Erendira A. de Andrade (professora da Licenciatura Intercultural Indígena do CAA/UFPE), Manuela Schillaci (Nepe/UFPE) e Alexandre Gomes (professor de Etnologia Indígena do Instituto de Humanidades/UNILAB).
O material será apresentado nesta quarta-feira (12), em Caruaru, e na sexta-feira (14) no Recife, dentro da programação da IX Jornada de Estudos sobre Etnicidade, organizada pelo Núcleo de Estudos sobre Etnicidade da UFPE. Os autores dedicam a obra a Alcilene Bezerra (1975 - 2026), vice-presidente do CIMI e ex-coordenadora do Regional Nordeste, que recebeu a equipe do projeto e tornou possível a pesquisa. Com tiragem de mil exemplares, a obra será distribuída entre escolas indígenas de Pernambuco e terá versão digital disponibilizada nos sites a partir do dia 07 de setembro: https://memoriaindigenista.wixsite.com/mine e https://cimi.org.br/ O livro conta com acessibilidade comunicacional por meio de audiodescrição de uma seleção de fotos para as pessoas com deficiência visual.
A publicação apresenta trajetórias dos povos indígenas do Nordeste em defesa e retomada de seus territórios, registros de personagens emblemáticos, a vida cotidiana nas aldeias e o protagonismo destes povos na construção de um movimento nacional indígena. São mais de uma centena de fotografias, recortes de jornal e documentos, dentre estes, muitos que foram reunidos pela Comissão Nacional da Verdade, disponíveis no Sian (Sistema de Informação do Arquivo Nacional) e que mostram como a ditadura civil-militar espionou integrantes do CIMI e lideranças indígenas.
A publicação integra o projeto Memórias Indigenistas no Nordeste, que desde 2013 pesquisa, recupera e organiza acervos por meio de processos de tratamento técnico, incluindo a digitalização, o inventário e a catalogação. “Este livro nasce de uma pesquisa engajada. A partir do acervo, buscamos evidenciar como o apagamento da presença indígena no Nordeste foi uma estratégia de subordinação, dando visibilidade às inúmeras violências e violações de direitos sofridas. Nosso intuito é contribuir com a luta dos povos indígenas por seu direito à Memória, à Verdade, à Justiça - somando no coro que vem se construindo nacionalmente por uma Comissão Nacional da Verdade Indígena”, explica Manuela Schillaci, coordenadora executiva do projeto Memórias Indigenistas no Nordeste e uma das organizadoras da publicação.
O período entre as décadas de 1970 e 1980 foi marcado por importantes mobilizações dos povos indígenas no Nordeste em busca do reconhecimento étnico e pela reivindicação de seus territórios perante o Estado brasileiro, então governado por uma ditadura civil-militar. O CIMI (Regional Nordeste) apoiou o movimento indígena nesse processo, o que resultou na formação de um rico conjunto documental sobre o trabalho indigenista e as lutas dos povos. O livro aborda justamente os dez primeiros anos da atuação da instituição na região, momento em que o Brasil passou por um período de redemocratização, que culminou na Assembleia Nacional Constituinte e na promulgação da Constituição de 1988.
Por meio de uma linha do tempo, o livro-álbum apresenta a atuação do CIMI e parte das trajetórias dos povos indígenas Xokó (SE), Kariri-Xokó (AL), Truká (PE), Kambiwá (PE), Pankararé (BA), Kaimbé (BA), Kapinawá (PE), Pankararu (PE), Kiriri (BA), Potiguara (PB), Tuxá (BA), Wassu Cocal (AL), Xukuru Kariri (AL), Geripankó (AL), Fulni-ô (PE), Xukuru do Ororubá (PE).
A publicação aborda desde a criação do CIMI, que tem como marco a realização da 1ª Assembleia de Pastoral Indigenista do Nordeste, em 1978 em Garanhuns/PE, as primeiras assembleias indígenas na região, passando por um série de retomadas indígenas, que sofreram repressão, assassinatos e violações de direitos, com ameaças e espionagem direta dos órgãos da ditadura civil-militar.
O acervo apresentado no livro foi reunido ao longo dos anos com a contribuição das diversas equipes envolvidas nas atividades de acompanhamento e apoio às mobilizações indígenas. Embora sua atuação tenha se expandido para outros estados, o trabalho do CIMI-NE na região concentrou-se prioritariamente, nesses primeiros anos, em Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Paraíba. A publicação tem incentivo do Funcultura / Governo de Pernambuco, através da Secretaria de Cultura e Fundarpe.
SERVIÇO:
Apresentação do livro Retomada - Memórias Indigenistas no Nordeste durante
a IX Jornada de Estudos sobre Etnicidade do NEPE
Quando: Nesta quarta-feira (12), às 16h, em Caruaru, no Centro Acadêmico do Agreste da UFPE, e na sexta-feira (14), às 9h, no Recife, no Auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da UFPE.
*Com informações da assessoria