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Lançado há 30 anos, Pokémon ainda é febre e movimenta bilhões com cartas colecionáveis que ganham força em PE

Mercado de Pokémon TCG cresce com a expansão do colecionismo, reunindo jogadores, fãs e investidores em torno de cartas que podem valer milhares de reais

Por Allan Lopes

Rogério Juan, o Omelete de Togepi, e Rafael Arcoverde compartilham a paixão pelo colecionismo de cartas Pokémon

Bulbassauro, Charmander ou Squirtle? Desde 1996, a escolha do primeiro monstrinho nos jogos de Pokémon se tornou um embate entre fãs. Mais do que isso: em ano de comemoração dos seus 30 anos, a marca japonesa segue como um dos maiores fenômenos da cultura pop e é considerada a franquia de mídia mais lucrativa do mundo, com receitas acumuladas que chegam a US$ 147 bilhões.

Um dos responsáveis por esse império é o TCG (jogo de cartas colecionáveis), lançado no mesmo ano dos games e introduzido no Brasil em 2000. No início, era um hobby restrito principalmente aos recreios das escolas, mas hoje movimenta cifras bilionárias, impulsionado por adultos movidos pela nostalgia ou atraídos pela possibilidade de lucro.

Nos últimos meses, a febre do TCG chegou a nomes que, à primeira vista, não têm relação com o universo. O jogador Neymar já apareceu abrindo pacotes de Pokémon ao lado do filho, Davi Lucca, em uma transmissão no Instagram.

Já o influenciador financeiro Thiago Nigro, conhecido como Primo Rico, desembolsou R$ 4 milhões por uma carta e produziu um vídeo de mais de uma hora para explicar aos seguidores os mecanismos por trás do mercado.

Mas talvez nenhum exemplo traduza melhor a dimensão alcançada pelo colecionismo do que a Pikachu Illustrator, considerada o “Santo Graal” entre os colecionadores. Em fevereiro de 2026, uma unidade da carta foi arrematada por US$ 16,5 milhões em um leilão da Goldin Auctions, após 41 dias de disputa.

Para muitos fãs, no entanto, as cartas continuam tendo como destino as coleções pessoais – muitas vezes construídas em torno do vínculo com determinados personagens – ou as mesas de competição. Os jogadores podem participar de torneios em diferentes níveis, desde locais até etapas nacionais e internacionais.

Recife também integra esse circuito oficial e recebe, nos dias 3 e 4 de outubro, o Campeonato Regional Pokémon. Em cada batalha, os participantes precisam montar seus baralhos a partir das funções específicas das cartas, escolhendo entre diferentes possibilidades de ataque, defesa e estratégia para superar o adversário.

Quem frequenta as competições provavelmente já cruzou com Rogério Juan, conhecido como Omelete de Togepi. Há duas décadas dedicado ao universo dos cards, o influenciador se tornou uma referência do hobby no Nordeste.

Para ele, a nostalgia de quem cresceu assistindo ao anime ou jogando ajuda a explicar o aquecimento do mercado. “Muitas pessoas começaram a gostar de Pokémon quando eram crianças ou adolescentes e hoje estão trabalhando, têm o próprio dinheiro e conseguem adquirir seus produtos”, explica ao Diario.

Amigo de Togepi, o designer e colecionador Rafael Arcoverde, de 29 anos, também acompanhou as transformações ao longo dos últimos anos. Em 2017, começou a empreender na área e, atualmente, colabora com a loja Geek Shop Brasil, nos Aflitos, onde são realizados encontros de jogadores todos os sábados.

“Quando comecei a atuar nesse segmento, o hobby ainda era pouco conhecido e bastante estereotipado. Hoje, o cenário mudou: o colecionismo ganhou espaço e se tornou um hobby saudável, capaz de reunir públicos muito diferentes”, celebra.

A mudança no perfil de quem coleciona veio acompanhada da valorização das próprias cartas, que passaram a movimentar cifras cada vez maiores. Um Charizard antigo está entre as peças mais valiosas da coleção de Togepi, com valor estimado de R$ 15 mil. O estado de conservação e a escassez da tiragem estão entre os fatores que ajudam a explicar a cotação. “Hoje existem cartas que passam facilmente de R$ 20 mil porque estão se tornando peças únicas”, afirma.

Ao todo, ele calcula ter entre 60 mil e 70 mil cartas em casa, mas ressalta que não é preciso desembolsar milhares de reais para começar ou manter uma coleção. “Tenho cartas de 20 centavos ao lado de uma de R$ 400. Cada um começa dentro das próprias possibilidades e, com o tempo, constrói uma bagagem que também pode ser usada para negociar com outras pessoas”, explica Togepi.

É o caso da estudante de psicologia Fernanda Queiroz, de 20 anos, que retomou há cerca de um ano a coleção iniciada na infância. Hoje, com mais de 500 cartas, ela mantém o hobby com um investimento mensal de aproximadamente R$ 200. “Minha preferência é comprar cartas avulsas porque acredito que dá para gastar menos dessa forma”, destaca.

Sem interesse em se desfazer das peças, mesmo diante de uma eventual valorização, ela critica o caráter cada vez mais financeiro que o TCG vem assumindo. “O objetivo não deveria ser sair gastando desenfreadamente na expectativa de ter um grande lucro. O mais interessante é entrar em uma comunidade em que todos compartilham a mesma paixão por Pokémon”, argumenta.

HISTÓRICO
Três décadas depois de conquistar os primeiros jogadores, a longevidade da franquia passa pela capacidade de ocupar novos espaços ao longo dos anos. Pokémon nasceu em 1996 como um RPG para Game Boy e, poucos meses depois, ganhou uma versão física com o lançamento do TCG.

Em 1997, o anime ampliou esse universo e apresentou ao público os rostos e as vozes de personagens que se tornaram ícones pop, como Ash Ketchum e Pikachu. No ano seguinte, foi a vez do cinema, com “Pokémon: O Filme - Mewtwo Contra-Ataca”.

Desde então, não parou de se expandir, seja pela criação de novos monstrinhos, que já ultrapassam a marca de mil, seja pela chegada aos celulares com Pokémon Go, que levou os treinadores às ruas de todo o mundo.