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Sucesso nas redes, pernambucano Lucas Barros lança livro sobre dores e descobertas de jovem do interior

Mortalidade, abandono e sexualidade são temas do livro do influenciador digital, que revela ainda ao Diario planos e temas para novos projetos

Por André Guerra

Escritor seguirá investigando temas envolvendo definições e expectativas sobre masculinidade

Uma complexa jornada que perpassa sentimentos de perda, medo, abandono e identidade aparece como um redemoinho temático em “Amanhã Eu Morri Sozinho”, livro de estreia do autor pernambucano Lucas Barros, de 24 anos. Natural de Garanhuns, ele vem crescendo como produtor de conteúdo literário nas redes sociais nos últimos quatro anos, quando acumulou mais de 400 mil seguidores no Instagram e no Tik Tok, e agora se prepara para este novo passo, que reflete várias de suas principais preocupações temáticas.

No Recife, o lançamento, feito pela editora Intrínseca, está marcado para o dia 4 de agosto, às 19h, na Livraria Leitura, no Shopping RioMar, com a presença do escritor e do editor Heduardo Carvalho para um bate-papo.

A ficção trata de Caetano, um jovem do interior de Pernambuco que foi confrontado pela perda ainda cedo, com o falecimento do pai. Também desde o começo da vida ele convive com a solidão e com o bullying na escola por ser gordo e, anos depois, por se descobrir gay.

Em entrevista ao Diario, Lucas afirma que a ideia para o livro surgiu há muito tempo. “Eu sempre gostei de escrever muito antes de criar conteúdo. Poesia, contos, resenhas são algo. Quando vou gravar um vídeo sempre faço questão de escrever. Acho que isso auxiliou demais o meu processo, que acabou sendo bastante organizado. Os temas já estavam muito bem definidos desde o começo e o personagem principal foi sendo moldado a partir deles”, explica.

Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Lucas exercita a escrita de ficção de diferentes maneiras e vem guardando seus materiais há alguns anos em pastas pessoais. Compartilhar suas ideias com um público já fidelizado em seu trabalho e conquistar um novo universo de leitores é, para ele, a concretização de um sonho.

O autor conta, durante a entrevista, que a ideia do final da história foi a primeira coisa que surgiu. “Às vezes a narrativa leva a gente para lugares para os quais não estávamos esperando no princípio, o que é normal. A partir desse último capítulo, todo o restante do enredo foi sendo lapidado”, revela. “Mas meus caminhos foram muito abertos e respeitosos com aquilo que os personagens pediam. Eu queria abordar a morte e o abandono parental e, a partir desses dois tópicos, o protagonista foi ganhando outras camadas”, acrescenta.

Vários autores brasileiros contemporâneos vêm influenciando a escrita e a observação de Lucas em seu processo particular. Ele destaca o livro “O Apanhador no Campo de Centeio”, do norte-americano J. D. Salinger, como uma das obras que mais serviram de inspiração para debater temas como crescimento e angústias da juventude. Escritores brasileiros, como Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu, também foram essenciais para a construção do seu olhar.

Questionado sobre projetos futuros, ele reforça sua preocupação sobretudo com o tema da masculinidade. “É um assunto que já venho tentando depurar em ‘Amanhã Eu Morri Sozinho’, mas que pretendo explorar ainda mais em breve. Tenho uma possibilidade, mas prefiro, agora, viver o momento do lançamento dessa estreia. A depender de mim, já vou estudando novas coisas a partir dessa ideia que veio, mas acho melhor segurar mais”, afirma.

“Tenho muito interesse em entender a complexidade da forma como a sociedade enxerga a relação entre a masculinidade e a sexualidade, papéis de gênero bem definidos. Pelas ideias do momento, o próximo passo deve vir desse caminho”, conclui Lucas.