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Atriz do histórico grupo Vivencial, Auricéia Fraga celebra 80 anos no Recife com peça autobiográfica

Espetáculo 'Não se Conta o Tempo na Paixão' traz veterana do teatro pernambucano Auricéia Fraga em narrativa sobre memória e valorização dos artistas

Por André Guerra

Cinco décadas ininterruptas da carreira de atriz de Auricéia Fraga são celebradas no espetáculo “Não se Conta o Tempo na Paixão”, que chega ao Teatro Apolo, no Recife, em apresentações nesta sexta-feira (24) e neste sábado (25), às 19h30.

A artista pernambucana de 80 anos, que marcou a história do teatro pernambucano, é dirigida por Rodrigo Dourado nesta peça que revisita sua infância, adolescência e juventude, narrando a jornada da menina crescida no interior, em Cortês, e refletindo sobre o universo que dominava a sociedade brasileira entre as décadas de 1940 e 1960. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) e podem ser adquiridos através do site Sympla ou na própria bilheteria do teatro, a partir das 18h.

“Fazer uma autobiografia ficcional é sempre um desafio muito grande. Por isso senti necessidade de me apoiar numa personagem que me representasse e com isso ficar mais à vontade entre o real e a ficção”, explica Auricéia ao Diario. “O espetáculo mostra que, independente de sua idade, uma atriz pode assumir diversas coisas e uma delas é apresentar um monólogo, principalmente se tiver vigor e paixão pelo que faz, como é o meu caso”.

O espetáculo segue a transformação da jovem que, durante os anos 1970, acha na efervescência cultural do teatro um caminho para sua libertação plena. O transgressor grupo Vivencial, em Olinda, um dos maiores cânones da manifestação artística do estado, é um dos elementos explorados pela narrativa, conduzida no palco por duas personagens centrais: a própria Auricéia e Maria, figura ficcional inspirada em suas próprias memórias.

Rodrigo Dourado reforça a força simbólica e abrangente do projeto. “Ao colocar em cena uma atriz octogenária em plena atividade, o espetáculo reafirma a importância daqueles que carregam consigo parte significativa da história do teatro, da cultura e da sociedade brasileira”, afirma o diretor.

Ainda permeado por uma dimensão musical, “Não se Conta o Tempo na Paixão” percorre esses diferentes tempos da vida de Auricéia como forma de dialogar com tantas mulheres que, ao longo das últimas décadas, cravaram seus nomes e suas presenças nos espaços culturais que mobilizam a sociedade pernambucana e brasileira.