° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Zeca Baleiro apresenta show "Piano" no Recife com releituras, improviso e repertório afetivo

No show "Piano", Zeca Baleiro sobe ao palco do Teatro Guararapes para apresentar releituras de músicas como "Babylon", "Bandeira" e "Telegrama, além de obras de antigos parceiros e ídolos

Por Allan Lopes

Zeca Baleiro revisita sucessos da carreira e clássicos da música brasileira no show "Piano"

Neste sábado (16), a partir das 21h, o Recife receberá um Zeca Baleiro mais interessado na espontaneidade. No palco do Teatro Guararapes, acompanhado do multi-instrumentista Adriano Magoo, o artista maranhense apresentará o show “Piano”, em que revisita sucessos da carreira e clássicos da música brasileira em versões mais livres, densas e abertas ao improviso, sustentadas por arranjos que misturam o instrumento que dá título ao projeto com acordeon, sintetizadores e camadas eletrônicas. Os ingressos estão à venda, com valores entre R$ 80 e R$ 240, no site da Cecon Tickets.

Para o anfitrião da noite, o espetáculo reflete perfeitamente a identidade da cidade. “Acho que esse show tem tudo a ver. Estou com saudade de tocar no Recife”, diz o cantor em entrevista ao Diario. “É um imenso caldeirão cultural onde cabe de tudo. Combina com show de rua, carnaval e também com teatro, justamente por ter uma plateia muito musical”, celebra.

Ao lado de Adriano Magoo, parceiro de banda há mais de duas décadas, Zeca Baleiro mantém a tradição de se apresentar com grandes nomes de sua trajetória. Exemplo recente disso ocorreu em 2024, na passagem da turnê conjunta com Chico César para promover o disco “Ao Arrepio da Lei”.

Pensado inicialmente para apresentações mais enxutas, em 2011, o show “Piano” foi crescendo ao longo dos anos enquanto expandia arranjos e possibilidades no palco. Além de revisitar canções marcantes da própria trajetória de Zeca Baleiro, como “Babylon”, “Bandeira”, “Respira” e “Telegrama”, o espetáculo também passou a incorporar releituras de artistas como Sérgio Sampaio, Mercedes Sosa, Charlie Brown Jr. e Letrux.

No ano passado, o artista resolveu transformar o projeto em álbum como uma pausa estratégica em sua discografia, priorizando interpretações de outros compositores em vez de faixas autorais. “É um show em que eu me divirto mais do que o público”, brinca Zeca.

“Piano” ainda abre espaço para músicas menos óbvias do seu repertório, como “Zaz” e “Quase Nada”, além de “Depois de Amanhã”, uma parceria com o cantor pernambucano Juliano Holanda. Com liberdade para alterar a ordem das músicas e incluir surpresas conforme o clima da apresentação, Baleiro define o show como um formato mais próximo do improviso. “Em Pernambuco, existe a chance de aparecer alguma surpresa mais lado B, talvez até uma referência a Lula Côrtes. Tudo pode acontecer”, destaca.

Embalado por essa autonomia, o formato de piano e voz traz intimidade e nova dimensão ao repertório. “Acho que esse tipo de leitura mais íntima muda completamente a interpretação das músicas. Dá mais densidade às canções. E, como são shows feitos em teatro, em ambientes mais controlados, você canta melhor, toca melhor. Isso muda totalmente a perspectiva”, antecipa Zeca.

A apresentação, contudo, não dispensa a modernidade: camadas eletrônicas, pedais de efeito e vozes processadas também têm espaço. “Não fica restrito ao padrão de um recital”, completa.

Apesar de exaltar sua história e seus ídolos, o projeto “Piano” não está relacionado às celebrações dos 30 anos de carreira de Zeca Baleiro, previstas para 2027. O pacote festivo prevê álbuns inéditos e uma coleção de raridades extraídas de fitas cassete.

Outro possível destaque é a versão remasterizada de sua primeira demo, que contém as faixas “Bashô” e “Skap”. No momento, Zeca ainda estuda disponibilizar o material no streaming ou em uma edição especial em formato físico. “Virão muitas novidades”, afirma.