'Estou triste e sofrendo igual a eles', diz idosa impedida de alimentar gatos que vivem em prédios-caixão
Há mais de 20 anos cuidando dos animais, Lana Lessa, de 63 anos, sabe que retirá-los do local é o melhor a ser feito, mas, enquanto isso não acontece, está impedida de entrar para alimentá-los
Há mais de 20 anos, todos os dias pela manhã, a idosa Lana Lessa, de 63 anos, vai até o conjunto de prédios-caixão condenados no bairro da Imbiribeira, na Zona Sul do Recife, para dar comida a mais de 100 gatos.
A ida ao local já faz parte da vida dela. “Durante todo esse tempo só deixei de ir uma ou duas vezes porque estava doente”. Nesta quarta-feira (28), porém, ela foi impedida de entrar no local para alimentar os animais. “Eu estou triste. É como se tivesse me enterrando viva. Eu estou sofrendo igual a eles”, lamenta.
Esse é só mais um capítulo envolvendo a demolição do conjunto habitacional. Após a repercussão nas redes sociais de que a demolição estava acontecendo com os animais no local, a Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha, do Governo de Pernambuco, confirmou, nesta terça-feira (27), a suspensão parcial do trabalho.
De acordo com a pasta, a medida foi definida em um acordo entre o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e a empresa responsável pela demolição. “As atividades de demolição nos edifícios onde há gatos permanecerão suspensas até o dia 3 de novembro, quando será realizada uma reunião na sede da CPRH para que a empresa apresente um plano para a retirada segura dos animais”, disse, por meio de nota.
Dona Lana diz que sabe que a retirada dos animais é o melhor a ser feito, mas que sentirá falta de cuidar deles. “Eu tenho quatro gatos e um cachorro em casa, não posso ficar com mais nenhum. Mas, enquanto eles não são retirados queria poder continuar cuidando”.
A história dela com os animais começou quando o edifício foi desocupado. Segundo ela, muitos moradores foram embora e abandonaram seus animais. “Fiquei com pena e comecei a levar ração. Depois foram surgindo outros. Muita gente vem abandonar aqui”.
Para ajudar a manter a gataria, ela conta com ajuda financeira de outras pessoas, faz rifas e produz artesanatos para vender.
O Diario entrou em contato com a Secretaria de Meio Ambiente para saber sobre o impedimento de Dona Lana de entrar no local para alimentar os animais. Até a publicação desta matéria, no entanto, não havia obtido retorno. O canal segue aberto.