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Carta aberta é divulgada cobrando explicações do desaparecimento do soldado do Exército

Documento divulgado pelo advogado do militar, Jario Santos, exige maiores esclarecimentos do sumiço de Pedro Gabriel

Por César Moura

Pedro Gabriel está desaparecido desde sábado (17). Paradeiro do jovem é desconhecido

Uma carta aberta à sociedade e ao Exército Brasileiro foi divulgada nas redes sociais do advogado do soldado, Jario Santos, nesta terça-feira (20), exigindo maiores explicações sobre o caso envolvendo Pedro Gabriel, de 20 anos. O jovem militar sumiu na madrugada do último sábado (17) e, até o momento, não foi encontrado.

O documento faz uma série de exigências e levanta questionamentos sobre o paradeiro do soldado e o silêncio das investigações. Além disso, foi solicitado ao Exército que seja intensificado os esforços nas buscas por Pedro, assegurando a preservação integral dos elementos de prova.

Na publicação, há uma cronologia de Pedro Gabriel. Lá é mostrado que o jovem teria saído de casa na quinta-feira (15), para se apresentar ao serviço militar de 24 horas, com inicío na sexta-feira (16). Às 00h, Gabriel é visto pela última vez, quando se dirigia ao seu posto. Apenas de 8h da manhã do sábado (17), a família é comunicada. 

Junto com o desaparecimento, constata-se a ausência de um fuzil calibre 7,62 e de 20 munições.

Ainda segundo a postagem, o soldado teria "uma trajetória disciplinada, sem registros que desabonem sua conduta. A promoção estava prevista para os próximos dias. Um jovem com uma carreira promissora e uma família à sua espera".

A carta também apela para um maior esclarecimento das cirscunstâncias do desaparacimento, solicitando um canal permanente de comunicação com a família e sua representação jurídica.

No final das exigências, a carta faz um pedido para a não propagação de acusações sem fundamentos, pois podem atrapalhar o curso das investigações.

Relembre o caso

Um jovem soldado, chamado Pedro Gabriel, de 20 anos, teria desaparecido do 7º Depósito de Suprimento, no bairro do Cabanga, no Recife, durante a madrugada, levando um fuzil calibre 7,62 mm e 20 munições. Até o momento, o paradeiro de Gabriel e do armamento é desconhecido.

De acordo com o advogado da vítima, Jario Santos, não existe nenhuma testemunha ocular, vídeos ou qualquer outra informação que esclareça o paradeiro do militar. Ele também não teria sido visto por ninguém nos momentos anteriores ao ocorrido.

Até o momento da divulgação desta matéria, não houve atualizações do caso.

Em nota a Polícia Militar de Pernambuco informou que está apoiando o Exército Brasileiro nas buscas. Já a Polícia Civil de Pernambuco registrou a ocorrência de desaparecimento de um homem de 20 anos e a investigação segue pela Delegacia de Pessoa Desaparecida do DHPP.

Leia a carta aberta na íntegra:

"Saiu de casa para servir. Não voltou. Na quinta-feira, 15 de outubro de 2026, Gabriel saiu de casa para se apresentar ao serviço militar de 24 horas, iniciado na sexta-feira (16). Seria mais um plantão de rotina.

Com apenas 20 anos de idade e 1 ano e 7 meses de serviço no Exército Brasileiro, alcançou o 1º lugar no curso de formação de cabos. Uma trajetória disciplinada, sem qualquer registro que desabone sua conduta, com promoção prevista para os próximos dias. Um jovem com uma carreira promissora e uma família à sua espera.

Sábado, 17 de outubro. Algo aconteceu, mas ninguém explicou o quê. À meia-noite, Gabriel foi visto pela última vez quando se dirigia ao seu posto. Junto ao seu desaparecimento, constatou-se a ausência de um fuzil calibre 7,62 e de 20 munições. A família só foi avisada oito horas após esse último registro.

As perguntas se acumulam: quando, exatamente, sua ausência foi percebida? Que providências foram tomadas de imediato? Gabriel deixou o quartel? Se sim, por onde e como? Há imagens de câmeras, testemunhas ou registros de entrada e saída de pessoas e armamentos naquela madrugada? Houve participação de terceiros? Ele pode ter sido vítima de algum crime? Ou Gabriel sequer chegou a deixar a unidade militar?

Não afirmamos que nenhuma dessas hipóteses seja verdadeira. Afirmamos que, até agora, a família não recebeu nenhum elemento concreto que permita entender o que aconteceu com seu filho.

Não há um canal efetivo de comunicação com os responsáveis pela apuração. Não sabemos quais diligências foram feitas nem se houve avanços nas buscas.
O sigilo da investigação não pode significar o abandono da família.

Não estamos aqui para acusar ninguém antes da apuração dos fatos. Estamos aqui para encontrar Pedro Gabriel, preservar sua vida e conhecer a verdade.

Ao Exército Brasileiro, pedimos que: intensifique todos os esforços de busca; assegure a preservação integral dos elementos de prova; esclareça as circunstâncias do desaparecimento; estabeleça, de imediato, um canal permanente de comunicação com a família e sua representação jurídica.

Qualquer informação, por menor que pareça, pode ser decisiva. Pedimos que não sejam divulgadas especulações ou acusações sem fundamento, em respeito à família e à própria investigação.

Gabriel saiu de casa para servir ao Brasil. Agora, sua família pede que o Brasil ajude a encontrá-lo."