Fábrica têxtil é inaugurada no Centro de Ressocialização do Agreste
Unidade fabril é a 25° criada no sistema prisional do Estado e será voltada à produção de vestimentas
Uma fábrica têxtil foi inaugurada nas dependências do Centro de Ressocialização do Agreste (CRA), no município de Canhotinho. Essa é a 25ª unidade do sistema prisional do Estado. A instalação foi entregue nesta quinta-feira (17), pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização de Pernambuco (Seap) inaugurou, nesta quinta-feira (17/09).
A iniciativa é realizada em parceria com a empresa Yets Premium Confecções e tem como objetivo promover a qualificação profissional e ampliar as oportunidades de ressocialização para pessoas privadas de liberdade.
A estrutura conta com 30 máquinas de costura e mesas destinadas às atividades de produção. Inicialmente, a unidade opera com o trabalho de 56 pessoas privadas de liberdade, ampliando sua capacidade para até 200 participantes.
Voltada à capacitação profissional e ao desenvolvimento de habilidades técnicas, a unidade fabril será destinada à realização de atividades de corte e costura e produção de roupas em escala industrial, sobretudo peças em jeans.
O secretário de Administração Penitenciária e Ressocialização, Paulo Paes, destaca que o trabalho, a qualificação profissional e o estudo são os principais pilares para alcançar a ressocialização. "Não é mais uma fábrica. É o caminho para a reinserção da pessoa custodiada na sociedade, no mercado de trabalho e na relação familiar. É também o caminho para mais segurança dentro e fora das unidades prisionais", ressaltou.
Quem pode participar
Podem participar das atividades pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional. A seleção de trabalhadores é feita a partir de uma lista de interesse mantida pela unidade prisional que, posteriormente, é usada para analisar critérios compatíveis com o trabalho a ser realizado. A seleção também é complementada por uma avaliação do setor psicossocial da unidade.
A jornada de trabalho poderá ser de 36 ou 44 horas semanais, conforme a organização das atividades. Os participantes receberão remuneração equivalente a três quartos do salário mínimo, enquanto o quarto restante será destinado ao pecúlio penitenciário, reserva financeira constituída durante o período de cumprimento da pena e entregue ao trabalhador no momento de sua liberação.
Além da remuneração, o trabalho também garante a remição da pena, na proporção de um dia de pena remido a cada três dias de trabalho.
Além de contribuir para a ressocialização das pessoas privadas de liberdade, a iniciativa também beneficia as empresas parceiras, que passam a contar com mão de obra qualificada para o desenvolvimento das atividades de produção, como explica o diretor geral da Yets Premium Confecções, Adriano Souza.
“Foi muito animadora essa parceria, porque atende a dois aspectos: o desejo da empresa de crescer, de produzir mais, e também a oportunidade de ser um instrumento de benefício social, porque ganha a pessoa privada de liberdade, ganha a família e ganha a sociedade”, apontou.
Oportunidade para recomeçar
A inauguração da fábrica também representa uma oportunidade de recomeço para as pessoas privadas de liberdade que participam das atividades. Para Almir José, de 35 anos, que passa a integrar a equipe da unidade fabril, a possibilidade de trabalhar e adquirir novos conhecimentos profissionais traz esperança para o futuro.
“É uma esperança. Você não pode desistir. Mesmo que você tenha errado no passado, você é muito mais do que isso. É isso que faz com que a gente possa mostrar, não só à nossa família, mas também aos agentes e à sociedade, que a gente pode mudar”, afirmou.
Unidades fabris
Nos últimos dois anos foram inauguradas 14 unidades fabris em áreas de atuação como: malharia, estofados, calçados e enxovais. As novas estações de trabalho estão localizadas nas regiões do Agreste e Região Metropolitana do Recife.
Atualmente, 405 pessoas privadas de liberdade trabalham nas fábricas. Mais 14 unidades fabris seguem em tratativas para serem implantadas em diversas áreas, entre elas, intertravados, absorventes e malharia, podendo chegar a um total de 1.000 pessoas privadas de liberdade trabalhando.