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Casa da Cultura e Estação Central do Recife podem ser tombadas como Patrimônio Cultural Brasileiro

A votação para o tombamento definitivo dos dois imóveis, que já são protegidos pelo estado de Pernambuco, ocorre na próxima quarta (23), em Brasília, na sede do Iphan

Por Bartô Leonel

Caso sejam aprovados na reunião, os dois locais serão inscritos nos Livros do Tombo Histórico e de Belas Artes.

A Casa da Cultura de Pernambuco e a Estação Central do Recife, ambas localizadas no bairro de São José, na área central da capital pernambucana, podem se tornar imóveis tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A votação para o tombamento definitivo dos dois prédios, que já são protegidos pelo estado de Pernambuco, ocorre na próxima quarta-feira (23), em Brasília, durante a 114ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.

Caso sejam aprovados na reunião, os dois locais serão inscritos nos Livros do Tombo Histórico e de Belas Artes.

Casa da Cultura de Pernambuco

A atual Casa da Cultura de Pernambuco foi instalada onde funcionava a Casa de Detenção do Recife, que permaneceu em atividade de 1855 a 1973. O local foi construído no século XIX e é reconhecido por sua relevância histórica como um exemplo na arquitetura penitenciária do século 19 no Brasil.

Idealizado pelo engenheiro José Mamede Alves Ferreira, o prédio foi concebido em formato de cruz, seguindo o princípio panótico, que permitia ampla visão dos corredores e celas a partir de um ponto central. Por conta dessa ideia, os guardas que ficavam no mezanino conseguiam observar a movimentação de todos os detentos.

O desenho arquitetônico refletia a ideia de controle absoluto, marca do século XIX. Grades de ferro fundido da antiga Casa de Fundição e estruturas metálicas de sustentação, ainda hoje preservadas, conferiram ao edifício uma imponência que atravessou gerações.

Antes de ser oficialmente desativado em 15 de março de 1973, o local também foi utilizado pela Ditadura Militar. Em 1976, após passar por restauros e uma série de adaptações, o prédio foi reinaugurado como Casa da Cultura de Pernambuco.

Adelmo Lucena/ Arquivo DP - Casa da Cultura de Pernambuco

Estação Central do Recife

O conjunto histórico e arquitetônico da Estação Central foi inaugurado em 1888, tornando-se, no início do século XX, a principal estação ferroviária do Recife. De acordo com o Iphan, sua construção serviu ao transporte de passageiros e da produção açucareira do sul da província de Pernambuco ao porto da capital.

Além disso, esse complexo constitui um relevante exemplar da arquitetura do ferro no Brasil.

A Estação Central do Recife, também conhecida como Estação Central Capiba, abriga, desde 1972, o Museu do Trem, que foi reaberto em julho deste ano após permanecer fechado desde 2022.

O prédio histórico foi totalmente requalificado pelo Governo de Pernambuco para garantir melhores condições de preservação e a experiência dos visitantes. As intervenções estruturais incluíram climatização, novo sistema de prevenção a incêndio, além da restauração dos pisos e da cobertura original.

Uma das novidades do prédio, que tem mais de 130 anos, é a Sala das Memórias Ferroviárias, que foi pensada para estimular a participação do público. Nela, os visitantes podem compartilhar fotografias, documentos e objetos relacionados às ferrovias.

Além de apresentar locomotivas, vagões e outros elementos históricos, a exposição propõe uma reflexão sobre o papel da ferrovia no desenvolvimento econômico, social e cultural de Pernambuco, destacando a importância das estações para a formação de diversas cidades do interior.