Polícia prende suspeito de aplicar golpe da falsa entrevista de emprego no Recife
Quatro golpes foram consumados e prejuízo ultrapassa R$ 500 mil; criminosos atraíam vítimas pelo LinkedIn e pediam selfie durante supostas entrevistas
A Polícia Civil de Pernambuco prendeu um homem de 23 anos suspeito de integrar uma quadrilha que aplicava o golpe da falsa entrevista de emprego no Recife. Segundo a investigação da Delegacia da Rio Branco, seis golpes foram identificados na capital, sendo quatro consumados, com prejuízo superior a R$ 500 mil.
Um segundo integrante da mesma quadrilha, de 26 anos, já havia sido preso anteriormente durante a investigação. Os dois são naturais do Paraná. De acordo com a polícia, o grupo atua em diferentes estados e utiliza o Recife como um dos pontos para aplicar os golpes.
Vítimas eram atraídas pelo LinkedIn
Os criminosos entravam em contato com pessoas pelo LinkedIn e ofereciam supostas vagas de emprego, muitas vezes com salários elevados. As vítimas recebiam pelo WhatsApp o endereço de uma sala de coworking, alugada com documentos de terceiros, onde acontecia a falsa entrevista.
Durante o encontro, os candidatos preenchiam um formulário e eram orientados a desligar completamente o celular. Em seguida, o suposto entrevistador pedia uma selfie, alegando que a imagem seria necessária para concluir o cadastro.
Segundo a Polícia Civil, a fotografia era utilizada posteriormente para tentar realizar empréstimos bancários e financiamentos de veículos. Ao ligar novamente o celular, as vítimas recebiam notificações sobre alteração de senha, retirada de dinheiro ou contratação de crédito.
“O ponto-chave é a selfie, que é utilizada de maneira maldosa”, explicou o delegado Ernesto Novaes, da Delegacia da Rio Branco.
A investigação começou após um caso registrado em 31 de julho, quando uma vítima relatou ter perdido R$ 120 mil após participar de uma falsa entrevista. Em 6 de agosto, os policiais monitoraram novamente a sala utilizada pelo grupo e prenderam um homem em flagrante.
Segundo a investigação, um dos suspeitos afirmou em interrogatório que realizava, em média, cinco golpes por semana e recebia cerca de R$ 2 mil por cada ação. Ele também teria relatado que o chefe da quadrilha providenciava a passagem de volta após os crimes.
Polícia orienta candidatos
A Polícia Civil orienta que candidatos verifiquem se a empresa responsável pela vaga realmente existe antes de comparecer a uma entrevista. A corporação também recomenda não fornecer selfies durante processos seletivos sem confirmar a finalidade e a legitimidade do procedimento.
Um dos nomes utilizados pelo grupo foi “Vertica RH”. A polícia afirma ainda que as vítimas tinham perfis variados e que algumas sequer estavam desempregadas.
Quem acredita ter sido vítima deve procurar uma delegacia e registrar a ocorrência. Os casos relacionados à investigação podem ser comunicados à Delegacia da Rio Branco, no Recife.