Caso Betinho: MPPE pede para arquivar processo contra ex-companheiro por falta de provas
Para a promotoria, não há provas suficientes de que o ex-companheiro do professor teria cometido o crime. Betinho foi encontrado morto no apartamento onde morava, no Centro do Recife, em 2015
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) pediu o arquivamento do caso Betinho por falta de provas contra o ex-companheiro dele, Raphaell Gouveia Thorpe, acusado pela morte do professor. O crime aconteceu há mais de 11 anos, em maio de 2015, no Centro do Recife.
José Bernardino da Silva Filho, de 49 anos, era professor de uma escola particular do Recife. Ele foi encontrado morto no apartamento onde morava, na Boa Vista, após ser atingido na cabeça por golpes de um ferro de passar roupa e estrangulado com o fio do eletrodoméstico.
Passada mais de uma década, ninguém foi condenado pelo homicídio. Em 2019, um aluno de Betinho chegou a responder na Justiça, mas foi absolvido pela 2ª Vara do Tribunal do Júri do Recife, também por falta de provas.
Posteriormente, o caso foi reaberto e Raphaell Gouveia Thorpe foi apontado como o autor do assassinato pela nova investigação. O MPPE ofereceu denúncia contra ele em agosto de 2024, que foi aceita pela Justiça.
Após as audiências de instrução, no entanto, a promotora Eliane Gaia Alencar, da 49ª Promotoria de Justiça da Capital, do MPPE, pediu a impronúncia de Raphaell. A manifestação foi feita no último dia 3 de setembro. Ainda não há decisão.
No documento, ao qual o Diario de Pernambuco teve acesso, a promotora pede que a acusação seja rejeitada e requer que Raphaell não vá a júri popular. Para o MPPE, as provas colhidas nas audiências de instrução e julgamento são “frágeis e insuficientes” para sustentar uma decisão de que Raphaell fosse a júri.
Provas
A acusação se baseava no fato de que o DNA de Raphaell estava presente em um vasilhame de cerveja e em cuecas usadas que foram encontradas na sala do apartamento.
Além disso, laudos apontaram fragmentos de impressões digitais dele em uma cômoda no quarto e em uma garrafa plástica. Entretanto, foi revelado que Raphaell mantinha um relacionamento amoroso com Betinho por quatro anos, motivo pelo qual teria livre acesso ao apartamento do professor.
Dessa forma, a promotoria argumenta que a presença de material genético de Raphaell na cena do crime não seria prova de que ele esteve presente na execução, mas atestaria apenas que ele convivia naquele espaço.
Nas alegações, também foi levado em conta o depoimento de um vizinho que testemunhou o momento em que Betinho foi encontrado morto.
“A testemunha pontuou que a vítima se encontrava amarrada firmemente pelos pés e sofreu múltiplos golpes violentos na cabeça, sugerindo que o crime exigiu a força de mais de um agressor ou o uso de forte sedativo para conter qualquer reação”, descreveu a promotora.
Essa versão de uma autoria plural, no entanto, “jamais foi elucidada pela investigação policial”, disse o MPPE.
Além disso, a promotoria apontou que a versão de que apenas Raphaell teria ingressado no prédio na noite dos fatos “carece de certeza técnica absoluta”, pelo fato de que o imóvel tinha apenas três câmeras na época, com pontos cegos.
“O porteiro e o síndico atestaram que qualquer pessoa que conhecesse a rotina e a disposição dos equipamentos poderia adentrar no edifício pela lateral ou pelas escadas sem ser captada pelas lentes das câmeras”, escreveu a promotora.
Outro argumento usado pela acusação contra Raphaell é de que ele fugiu ao encontrar o corpo de Betinho, o que indicaria culpa. Em juízo, ele justificou que “entrou em choque” ao se deparar com a cena. A promotoria, então, entendeu a ação como “compreensível”.
Ao pedir a impronúncia de Raphaell, a promotora destacou, ainda, que ele era réu primário e não tem registros de comportamento violento.
O que diz a defesa de Raphaell
A equipe de reportagem do Diario procurou os advogados de Raphaell Gouveia Thorpe, mas não obteve retorno.