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Lixo e restos de móveis são encontrados no Canal do Arruda durante percurso entre Recife e Olinda

Resíduos como garrafas PET, papelões, sacolas, vasilhas térmicas, restos de armário e até um sofá foram vistos dentro do canal; moradores relatam que Prefeitura do Recife tem realizado a limpeza, mas o descarte irregular é frequente

Por Cadu Silva

Lixo e restos de móveis são encontrados no Canal do Arruda durante percurso entre Recife e Olinda

Um sofá, restos de um armário, garrafas PET, papelões, sacolas plásticas e vasilhas térmicas de isopor estavam entre os resíduos encontrados dentro do Canal do Arruda, durante um percurso realizado entre a Avenida Norte Miguel Arraes de Alencar, no Recife, e um trecho próximo ao Matadouro de Peixinhos, em Olinda, nesta quarta-feira (2). Além do lixo acumulado, a vegetação alta também foi observada em alguns pontos das margens.

Durante a passagem da equipe, funcionários da Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) realizavam serviços de limpeza nas bordas do canal. Moradores, no entanto, relatam que o descarte irregular de resíduos contribui para a presença de materiais no local.

Judson Oliveira Barreto, de 58 anos, afirma que encontrou diferentes tipos de objetos descartados no canal. Segundo ele, o problema envolve resíduos que chegam de outros bairros e também materiais jogados diretamente pela população.

“Você vê sofá, cama e muito lixo. Tem gente que chega e joga e joga o lixo residencial dentro do canal”, afirmou.

O morador também disse que a limpeza do local ocorre com frequência. “Eles limpam todos os dias. Não tem o que reclamar da limpeza da prefeitura”, declarou.

Um aposentado, de 62 anos, que vive na região há cerca de 15 anos e preferiu não se identificar, também apontou o descarte feito por moradores como um dos problemas.

“É sofá, cachorro morto que os moradores jogam dentro do canal. Você encontra tudo até pena de galinha”, relatou.

Segundo ele, o mau cheiro também incomoda quem vive nas proximidades. “Ninguém aguenta esse cheiro é insuportável”, afirmou.

Os moradores também relatam que materiais descartados em outros pontos podem chegar ao canal pela correnteza em dias chuvosos. A presença de objetos de grande porte, como sofás e partes de móveis, chama atenção entre os resíduos encontrados durante o percurso.

 

Além do lixo dentro da água, a equipe encontrou vegetação alta em trechos das margens. Rosana Lúcia, de 57 anos, pediu que fosse realizada uma poda nas plantas.

“Precisa de uma poda porque está tendo muito assalto. Quando chega a noite é uma escuridão o que dificulda a circulação de pessoas”, afirmou.

Outro ponto citado pelos moradores foi a retirada de uma passagem sobre o canal. Segundo eles, a estrutura facilitava a circulação de pessoas, mas foi retirada por causa da passagem de motos e outros veículos.

“Eu disse: se vocês forem botar de novo, botem uma paralela. Que não passa carro nem bicicleta”, relatou a moradora.

Para os moradores, a manutenção do canal e das áreas no entorno é importante não apenas para evitar o acúmulo de resíduos, mas também para permitir que a população volte a utilizar o espaço para circulação, caminhada e convivência.

A Prefeitura do Recife respondeu à reportagem sobre quais intervenções estão sendo feitas no canal, se há um cronograma de limpeza e quais outras intervenções estão programadas.

Leia a reposta da prefeitura:

A Prefeitura do Recife, por meio da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), informa que o riacho Vasco da Gama/Peixinhos, conhecido como Canal do Arruda, recebe manutenção periódica ao longo do ano, com limpeza manual e mecanizada, capinação das margens e retirada de resíduos. O serviço integra o cronograma anual de manutenção dos canais da cidade. No local, duas ecobarreiras permitem a retirada semanal do lixo flutuante, conforme as condições da maré. Somente em 2026, mais de 330 toneladas desses resíduos já foram recolhidas. Além disso, a manutenção anual com máquinas de grande porte, realizada antes do período de chuvas mais intensas, retira mais de 3 mil toneladas de material sedimentado ao longo do Canal do Arruda.

A Emlurb reforça que esse trabalho permanente precisa da colaboração da população. Não há operação de limpeza capaz de compensar o descarte contínuo de garrafas, sacolas, entulho, móveis e outros materiais no canal, que voltam a sujar áreas atendidas e prejudicam o escoamento da água. A Prefeitura também realiza ações de fiscalização e educação ambiental para combater o descarte irregular. As equipes seguirão acompanhando as condições do Canal do Arruda, inclusive a vegetação e os pontos recorrentes de descarte, com realização dos serviços conforme a programação.

Como alternativa ao descarte inadequado, a região conta com a Ecoestação do Arruda, que recebe gratuitamente entulho, poda, móveis, recicláveis e outros materiais, dentro dos limites estabelecidos para o serviço. No local também funciona o Recife Limpa + Valor, que recebe resíduos da construção civil e materiais volumosos de trabalhadores da coleta alternativa, com pagamento de R$ 0,05 por quilo via Pix. A população pode ainda solicitar gratuitamente a coleta agendada de móveis, colchões, eletrodomésticos, poda e pequenos volumes de entulho pelo Conecta Recife ou pela Central 156.