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Operação policial apreende equipamentos usados pelo crime organizado em comunidades de Olinda

Ação teve como foco a retirada de câmeras e equipamentos de internet clandestinos utilizados na contrainteligência de grupos criminosos

Por Diario de Pernambuco

Material apreendido durante Operação

* João Victor Tavares especial para Diario

Uma força-tarefa formada pelas polícias Civil e Militar, empresas operadoras de internet e a Neoenergia realizou, na manhã desta quinta-feira (28), a “Operação Às Cegas” em cinco comunidades de Olinda, na Região Metropolitana do Recife. A ação teve como objetivo apreender equipamentos utilizados por grupos criminosos para monitorar a movimentação das forças de segurança.

A operação ocorreu nas comunidades do Marezão, V8, Maruim, Ponte Preta e Giriquiti. Segundo a Polícia Civil, foram identificadas e retiradas câmeras e estruturas de internet clandestinas instaladas nas localidades.

De acordo com a delegada gestora da Delegacia Seccional de Olinda, Euricélia Nogueira, a operação faz parte de um planejamento das forças de segurança para impedir o avanço de conflitos entre grupos criminosos que disputam áreas de atuação do tráfico em Olinda.

“A gente vem percebendo que há um conflito entre essas comunidades, em que grupos criminosos querem tomar a área do tráfico de outras”, afirmou a delegada.

Segundo Euricélia, o objetivo das forças de segurança é evitar que a disputa provoque novos homicídios e aumente a insegurança nas comunidades. A delegada afirmou ainda que outras operações devem ser realizadas enquanto os conflitos persistirem.

Câmeras clandestinas

Durante a ação, equipes das empresas de energia e telecomunicações acompanharam o policiamento para identificar estruturas clandestinas.

A delegada explicou que as câmeras foram retiradas pelas próprias empresas após serem identificadas como instalações irregulares. Segundo ela, os equipamentos davam vantagem aos criminosos ao permitir o monitoramento da entrada das forças de segurança nas comunidades.

“A gente quer deixar esses grupos às cegas. As câmeras dão uma vantagem em relação à polícia quando a polícia vai entrar”, explicou Euricélia.

A estratégia, segundo a Polícia Civil, é reduzir a capacidade de monitoramento dos grupos criminosos e permitir que as forças de segurança continuem realizando operações nas comunidades.

Acesso às comunidades

O tenente-coronel do 1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM), Lenildo Paixão, destacou as dificuldades enfrentadas pelos policiais para acessar algumas das áreas onde a operação foi realizada.

Segundo ele, locais como Ponte Preta possuem vias estreitas, que dificultam a passagem de viaturas. Em algumas áreas, o deslocamento dos policiais precisa ser feito a pé ou com motocicletas.

Outro obstáculo apontado pelo comandante é a presença do mangue entre as comunidades. De acordo com Lenildo, criminosos utilizam a região como rota de deslocamento durante ataques e confrontos.

“A nossa dificuldade é o acesso. Ponte Preta é muito estreita, apenas uma moto passa. O policiamento passa a pé”, afirmou.

O comandante informou que a Polícia Militar também vem realizando operações de cobertura na área do mangue para dificultar a movimentação dos criminosos e reforçar a segurança dos moradores.

“Nós estamos fazendo um trabalho ostensivo de preservação da segurança na comunidade e também preventivo em questão de ataques”, disse.

Disque-Denúncia

Durante a operação, a Polícia Civil também distribuiu panfletos e afixou cartazes com informações sobre o Disque-Denúncia 181. A corporação pede que moradores forneçam informações que possam ajudar na identificação dos integrantes dos grupos criminosos.

A delegada Euricélia Nogueira reforçou que o sigilo das denúncias é garantido e que a identidade de quem fornecer informações não será revelada.

Segundo a polícia, as informações recebidas pelo canal poderão ser utilizadas nas investigações e auxiliar na identificação e prisão de suspeitos.

A Polícia Civil informou que novas ações devem ser realizadas nas comunidades de Olinda enquanto persistirem os conflitos entre grupos criminosos.