Adolescente com síndrome de Down aguarda cirurgia de catarata há dois anos pelo SUS
Jovem de 16 anos tem catarata avançada nos dois olhos e, segundo a família, está perdendo a visão enquanto espera pelo procedimento
Uma adolescente com síndrome de Down, de 16 anos, aguarda desde 2024 por uma cirurgia de catarata pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a família, a jovem tem opacificação avançada nos dois olhos e apresenta perda progressiva da visão. O quadro é mais grave no olho direito, pelo qual ela afirma que já tem dificuldade para enxergar.
A família iniciou a busca pelo tratamento na rede pública após perceber o problema. O caso foi inserido no sistema de regulação e, inicialmente, a adolescente foi encaminhada ao Hospital Ermírio de Moraes. Como a unidade não realizou a cirurgia, ela posteriormente foi direcionada ao Hospital Altino Ventura, no bairro da Iputinga, onde passou por consultas e avaliações médicas.
O irmão da adolescente, Leonardo de Lima Viana, de 27 anos, afirma que a família passou por diferentes atendimentos sem conseguir uma previsão para a realização do procedimento. Em determinado momento, segundo ele, um médico orientou que fossem realizados exames de forma particular para tentar acelerar o processo.
“Um dos médicos pediu para fazer os exames particulares, porque assim adiantaria a cirurgia. Fizemos todos os exames e entregamos lá”, relata Leonardo.
Após a entrega dos exames, a família continuou a aguardar o agendamento. De acordo com o irmão, meses depois recebeu a informação de que a cirurgia não poderia ser realizada naquele momento por falta de anestesista.
A espera preocupa a família porque os exames realizados de forma particular estão próximos do prazo de validade. Leonardo afirma ainda, que a família tem recebido a promessa de que o hospital entrará em contato, mas ainda não houve definição sobre o procedimento.
“Disseram que não conseguiam fazer a cirurgia porque estava faltando anestesista. Isso já tem meses. Os exames já estão para vencer e eles ficam dizendo que vão ligar, que vão resolver, mas até agora nada”, afirma.
Segundo Leonardo, a adolescente relata diariamente que está enxergando cada vez menos. Ele afirma ainda que a alteração no olho direito é perceptível e que a jovem já sinaliza que praticamente não consegue enxergar.
“Ela está dizendo todos os dias que está enxergando cada vez menos. O olho direito está pior e ela diz que quase não enxerga mais por ele”, conta.
A família também relata o impacto emocional provocado pela situação. Segundo Leonardo, a adolescente chora diante da perda progressiva da visão, enquanto a mãe acompanha a espera pelo tratamento.
“Ela só tem 16 anos e chora diariamente junto com minha mãe por isso. Estamos há dois anos nessa luta por uma simples cirurgia”, afirma.
O Hospital Altino Ventura foi procurado para esclarecer a situação da paciente, a existência de fila para a realização da cirurgia, a informação sobre a falta de anestesista, a validade dos exames apresentados pela família e a previsão para o procedimento, mas as respostas não foram enviadas até a publicação desta matéria.