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Instrutor de academia afirma que mordida não teve conotação ou intenção sexual

Defesa do acusado afirma que existia uma relação de intimidade e confiança entre professor e aluna

Por Isabella Fabricio

Caso aconteceu no último dia 19 de maio, segundo a vítima

Os advogados de defesa do instrutor Filipe Gomes da Silva, acusado de importunação sexual contra uma aluna em uma academia na Zona Norte do Recife, publicaram uma nota afirmando que a conduta atribuída ao profissional não teve qualquer conotação ou intenção sexual.

A mulher, de 25 anos, denunciou ter sido assediada dentro das dependências de uma academia. O caso aconteceu no último dia 19 de maio.

“Contextualizando os eventos: existia uma relação de intimidade e confiança entre professor e aluna, caracterizada por diálogos frequentes sobre questões pessoais e cuidado, em que, por exemplo, ela frequentemente levava lanches para ele. Essa interação, embora cordial, transcendia a relação profissional típica do ambiente de trabalho”, diz o documento.

Ainda de acordo com a defesa, o que aconteceu foi uma brincadeira classificada pelos advogados como “infeliz e despropositada”.

“No dia do ocorrido, a aluna teria manifestado desestímulo para realizar o treinamento. Nesse contexto, o educador físico, em uma brincadeira infeliz e despropositada, proferiu a frase ‘se você não treinar, vou lhe morder’, executando o gesto de forma lúdica e descontraída, destituída de qualquer conotação ou intenção sexual”, afirma a defesa.

Segundo o documento, Filipe reconhece que sua conduta extrapolou os limites tanto da relação interpessoal quanto das normas profissionais esperadas e, por isso, assume a responsabilidade pelo comportamento inadequado.

“Contudo, nega veementemente que suas ações tenham sido motivadas por qualquer teor sexual. Reafirma que nunca manteve qualquer interação desta natureza com a referida aluna ou com qualquer outra, encontrando-se genuinamente surpreso com as acusações formuladas”, diz a nota.

Relembre o caso

A mulher de 25 anos que denunciou ter sido assediada em uma academia na Zona Norte do Recife descreveu a sensação de ser mordida por um instrutor enquanto treinava como “aterrorizante”.

Ela contou que treinava acompanhada da mãe, que, em determinado momento, foi para o primeiro andar do estabelecimento. Quando a jovem ficou sozinha, segundo o relato, foi quando tudo aconteceu.

“Ele começou a corrigir o meu exercício. Eu estava segurando uma barra e, quando ele chegou, eu soltei, nem terminei. Ele veio me abraçar, mas eu disse para ele não fazer isso e me retraí, mas ele me puxou, me agarrou, me mordeu. Eu tentei empurrá-lo, mas fiquei sem força. Foi uma sensação aterrorizante, não consegui me soltar”, relembrou.

A aluna afirmou que só registrou o caso na Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) três dias depois. O caso é investigado como importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal. Ainda conforme a mulher, após o registro do boletim de ocorrência, o instrutor foi demitido.

O caso só veio a público no dia 19 de agosto, cerca de três meses após o ocorrido, depois que a aluna encontrou o instrutor trabalhando novamente na mesma academia. Ao questionar a proprietária sobre a presença dele, recebeu a justificativa de que ele estava cobrindo o expediente de outros profissionais.

“Daí veio a motivação para denunciar o caso à imprensa”, contou.